sábado, 24 de dezembro de 2011

Festa de Natal.

Ontem (23/12), acordei cheia de tarefas na agenda. Às 6:00 am havia marcado uma reunião com o Lucas Furlan (coordenador geral do ESEJ). A reunião só começou às 7:00 am e durou 2 horas e meia! Depois, falei uma horinha com o Hella, desejamos votos de felicidade e Natal e sai pra rua. Fiz meu Social Security (tipo uma carteira de trabalho americana), passei no banco para preencher uns formulários (isenção de imposto de renda, taxas, coisas do tipo), passei no mercado mexicano aqui do lado (o dono é um querido. É um senhor mexicano, chama-se Miguel. Nós o chamamos de Miguelito.), troquei minhas notas de 1 dólar por quarters e fui pra lavanderia  com meu cesto rosa cheio de roupas, lençóis, toalhas, meu sobretudo inundado de molho barbecue (no dia que fui no Applebee's fiz a gentileza de derrubar o pote na minha cara e sujar todinho o meu casaco novo) e o sobretudo da Gabe.  

A lavanderia aqui é igualzinha dos filmes. Você leva suas peças de roupa no cesto, coloca em uma das 10 máquinas disponíveis. Adiciona sabão em pó. Fecha a tampa. Coloca 5 moedas de 25 cents pra lavar. Escolhe o tipo de lavagem. Depois de 30 min, tira as roupas da máquina e coloca na secadora. Mais 3 moedinha de 25 cents e mais 45 minutos de espera. E fim! Está tudo limpo, seco e cheiroso. Mas as moedinhas de 25 cents estão sumindo de vista! 

Depois de colocar as roupas pra lavar, fomos eu e Louise almoçar no restaurante mexicano anexo ao mercado mexicano do senhor Miguelito. Comi peixe (ai que saudade). A Louise carne com batata-frita (tsc tsc). Chamamos o Iko e fomos rumo ao WalMart.



Eu queria ir a pé, pra conhecer o caminho, saber a distância e tirar muitas fotos. Venci na argumentação. Louise implorou por um ônibus. Iko adorou a ideia, assim poderia nos mostrar a famosa sorveteria de 77 sabores.


A neve da rua está bem pouca. Na verdade, o que temos espalhado pelo chão é mais gelo. Por que é que quando estou aqui a neve insiste em demorar? Venha nevasca, venha logo! 

A sorveteria está de parabéns. Experimentei um de chocolate com marshmallow, sensacional. E uma dips de uva (é claro). O sorvete, pra variar, era enorme e mal consegui comer tudo. Continuamos a jornada.

Adoro ir no marcado porque lá tem de tudo que você imaginar. Comprei até linha e fio pra costurar o meu casaco e da Gabe. Achamos os itens pra nossa comida da noite: granulado verde e vermelho, forminhas, forma grande. Muito leite condensado, chocolate e ovos. Nossos pratos são a sobremesa, vulgo brigadeiro e bombomzão recheado. 

Sim, ontem nós fizemos uma FESTA DE NATAL (a fetsa foi ontem porque hoje e amanhã trabalhamos o dia todo em eventos natalinos na Snowbasin). Foi lindo! Todos os intercambistas do prédio foram convidados. Eram peruanos, argentinos, brasileiros, filipinos, turcos e até um tailandês.



A regra é que cada dupla deveria preparar um prato ou comida típica do seu país. Iríamos jantar todos juntos. Brindar o natal e revelar um amigo secreto sorteado esses dias. Os presentes foram adiados porque uma colega nossa está bem doente. Vamos esperar ela melhorar (acho que dia 25 será a parte 2 da festa).

Mas a comida estava sensacional. Frango filipino, noodles, tofu, arroz de forno com purê, salada turca, meudeus, era tanta coisa deliciosa. E metade desse povo ai é formado em gastronomia. Vai dizer...Estou num paraíso! hahaha



De sobremesa tínhamos donuts, cup cakes, bombomzão recheado (que é tipo um torta, sabe?) e nosso brigadeiro. Dá pra acreditar que eles viveram toda a existência deles sem nunca ter provado um brigadeirinho? Ah, não podíamos deixar de mostrar pra eles o melhor doce ever do mundo, né? 



Brindamos e dançamos muuuito. Tirei milhões de fotos, filmei muitas cenas engraçadas.
Quero lembrar dessa confraternização com muito orgulho. Foi tão bonito unir tanta gente diferente por um único ideal! É só por isso que eu gosto de datas festivas como essas. Porque elas realmente mexem com seu espírito e sentimentos. Que se danem presentes, a comida, a maquiagem, a roupa bonita. O negócio é vestir pijama de natal, abraçar quem você gosta e dizer isso olhando nos olhos da pessoa! A gente faz pouco e principalmente quando estamos a milhares de quilômetros é que percebemos o quão importante alguns e outro ai são em nossas vidas! 

Feliz Natal para vocês ai. A saudade é o de menos. Logo a gente mata. O importante é nunca esquecer, all we need is Love. E isso eu tenho de montão por vocês! :D


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Salt Lake City.

Sexta-feira cedo acordamos com um plano: vamos pra Salt Lake City. Pesquisamos preços de Hotel e descobrimos que nós, funcionárias da Snowbasin, poderíamos ficar num hotel da rede com desconto. Dormimos com luxo na Suíte Queen Double: me, Louise and Gabriela.



Descobrimos perto do Hotel uma Liquor Store e uma Wendy’s . Perfeitos pro jantar. Descobri um sanduíche melhor que Mc Donalds e descobri um segredo aqui nos EUA; na dúvida peça sempre médio. Os vendedores sempre perguntam: What size? Eu sempre fico na dúvida, gosto de ser daquelas em cima do muro: medium. Se o médio já é enorme, como será o large? Não quero nem ver!

Depois de alimentadas, fomos pra sessão maquiagem. A proposta da noite era irmos no The Hotel Elevator. Lá haveria uma festa onde parte do traje obrigatório era gorro ou cachecol (sugestivo). Três andares de música e diferentes ambientes. Tinha um Papai Noel gigante inflável, uma cabine de fotos instantâneas, dançarinas de biquíni (quem usa biquíni aqui no inverno???), sala de narguiles, caixa eletrônico dentro da balada e pulseirinhas coloridas por todos os lugares.



Eu e a Gabe fomos à cabine de fotos (óbvio que eu não perderia isso). Sensacional e como eu sempre havia assistido nos filmes: você senta, coloca suas 3 notas de 1 dólar (nada é de graça nessa vida), clica no formato/moldura da foto e uma voz feminina diz “Here we go”. Sorrimos e miramos os olhares para a câmera, FLASH, careta com olhares engraçados, FLASH, língua pra fora e bico de beijo, FLASH, o mesmo sorriso anterior e mais forçado, FLASH. Isso tudo em questão de 4 ou 5 segundos. A posição precisa ser mudada num piscar de olhos e não dá pra marcar bobeira, se ficar feia ou não gostar, a foto sai assim mesmo. 
Pulamos fora da cabine e a máquina cuspiu duas cópias em miniatura.

Estávamos um pouco desorientadas. No bar, quando fui pedir as bebidas, não havia cardápio nem menu. Ai olhei para as meninas pensando: “Water?” Era a única coisa que eu sabia que eles tinham com certeza. Ok, vamos confiar no barman: você escolhe nossa bebida (mas faça algo bem fraco e doce, plis?). Como todo brasileiro, sempre somos alvo de muito papo e simpatia. Conversamos com algumas pessoas e fizemos amizade com um barman mexicano. Ele dizia: “I hate english, let’s talk portuguese and spanish” e nós rimos muito com ele. No fim, ele nos mostrou um novo ambiente do Hotel Elevator: era uma espécie de porão com uma festa mexicana e com direito a música salsa! Era tudo que nós queríamos conhecer! Bailamos mucho! Paso aquí, dos allá. Arriba! A festa era divertida e tinha bexigas com gás hélio. Fiquei emocionada e como criança levei a lembrança pra casa/hotel. Pontualmente, às 2:00 am (aqui eles usam o sistema 12h) a música desligou, a luz acendeu e as portas se escancaram. Aquilo parecia um aviso. Interpretamos que deveríamos ir embora.



Fomos pro hotel e dormimos numa cama. Sei que isso é meio óbvio, mas estou apenas frisando para lembrá-los que estamos dormindo há duas semanas (eu) em colchões de ar. Finally uma cama de verdade. E grande! Dormiu eu e Gabe. Nem parecia que tinha alguém do meu lado. A Louise espaçosa ficou com a cama só pra ela. Dormiu de atravessado e com os braços bem abertos, só pra fazer inveja.

Acordei razoavelmente cedo (9:00 am) pra tomar banho e passar meus 34 cremes. As meninas sempre usam desse artifício pra dormir mais. Dizem que sou enrolada. Pff, baboseira (hahaha). Todas acordadas, tentamos (com certo sucesso) usar a máquina de café expresso do quarto. O café deles é muito ruim, não adianta insistir.



Pegamos um bondinho elétrico que dentro de uma linha/área é gratuito. Fugindo mais para a periferia há um custo que nós não fizemos questão de descobrir. Se não tivéssemos errado o sentido, jamais teríamos ido para a periferia, logo, não teríamos ter que pagar nada. O problema é que aqui tudo funciona e as leis são severas. Infringir coisas desse tipo pode custar quase 1000 dólares e uma deportação.



A cidade como um todo é muito moderna, glamorosa e toda enfeitada. Aqui eles levam muito a sério esse espírito natalino.  A maioria das árvores de natal é de verdade (sim, pinheiro mesmo) e tem pisca-pisca por todo-lugar-que-você-olha! A cidade de noite é linda, como nos filmes americanos. Em SLC nós sentimos muito frio. Eu, porque sou friorenta memo. A Louise porque queria comprar um casaco novo e saiu SEM coat pra não ter que carregar o casaco velho na volta (eu fui totalmente contra isso, Fátima, mas ela é muito teimosa).  A Gabe foi ludibriada pela Lou que estava quente e não precisava de casaco pesado pra sair de casa (Quente? Essa história não faz sentido pra mim até agora). Desde sexta-feira o clima aqui tem esfriado. O vento é forte e cortante. Gela até a alma. Isso significa que vem neve por ai. Uhul!
Indo para o shopping, paramos na frente do Planetário. Pra quem nunca foi, é como um observatório e tem muitas demonstrações/explicações sobre a lua, galáxia, satélites e planetas (claro). Entramos e parecíamos crianças em sua primeira aula de física; ficamos maravilhadas com a engenhosidade de algumas brincadeiras, vídeos, fotos e máquinas. Havia cenário pra fotografar e milhões de badulaques inúteis pra vender. Perdemos uma hora só ali, mas valeu a pena. A ciência é incrível.



O shopping Gateway é muito bonito, grande. Não é como os shoppings que conhecemos: é ao céu aberto, diversas lojas uma do lado da outra e você não consegue saber onde está, pra onde está indo e onde está quente. Achamos a área de alimentação. A Gabe sugeriu de primeira o Applebee’s. A fome disse sim, sem titubear. Pois veja a coinciência, ontem a Giu me recomendou justamente esse lugar. Entramos, pedimos uma entrada e pratos de carne (como faz falta a carne do Brasil). A entrada era enorme e só aquilo já haveria nos satisfeito, se não fosse a gula. O pânico foi crescendo quando os pratos chegaram: eram gigantes. A cada dia aprendo uma nova lição; agora sei o porquê da obesidade nesse país. A comida era deliciosa, mas não havia como devorar tudo. Lutamos, relutamos, rimos e choramos muito na mesa na tentativa de limpar o prato. Apenas a Gabe conseguiu finalizar (porque ela deu sorte e o dela era bem pequeno), mas eu e Lou não queríamos desperdiçar nenhum penny. Enfim, o purê de batata venceu e ficou pra trás.



Andamos muito, muito e muito no shopping. Ao fim do dia havia conquistado 2 sobretudos por U$ 26 dólares cada um. Dá pra crer nisso? Nem num brexó brasileiro eu faria essa façanha. Adoro o consumismo desse país! Achei calças jeans que ficam perfeitas pra mim. A numeração é esquisita. Para as calças, começa no zero; eu uso number  1. E de sapato? Uso número 2! Acho que é por isso que todos na Snowbasin me chamam de little girl, little baby, little one etc.

A única loja que merece comentários é a Victória Secret’s. MEUDEUS, que perdição. É um paraíso para as mulheres e o sistema de atendimento é perfeito. Você entra, elas mensuram seu corpinho e dizem qual o seu tamanho de lingerie no EUA (32B, pequenininha, of course). Ai você vai pro provador e experimenta todos os modelos da loja. Os modelos são tabelados e após a escolha de quais ficam bons, você nunca mais irá provar sutiã na vida. Basta mostrar seu cartão com os modelos que você assinalou que a vendedora lhe apresenta as 500 variações de estampas, justamente daqueles modelos. Ou seja, aquele que te serve, fica bom e você pode apenas ficar apontando e babando neles sem a necessidade de adivinhar ou testar a qualidade daquele bojo ou daquela alça. Quantos artifícios pra te convencer a comprar... Quase cai na deles. Mas resisti: depois do Ano Novo os preços caem muito. Dica da Giulliana!



Bom, apenas pra comentar que o melhor lugar pra comprar roupa é a Foverer 21. Muito barato. Às vezes você não dá sorte de achar algo que goste, mas vale a pena passar e vasculhar as sessões. Se não achar a roupa certa, pelo menos achará bons motivos pra rir. Eu e a Gabe adoramos ficar circulando nos shoppings.



Fomos na Starbucks. Afinal, é a melhor cafeteria daqui. Não gostei tanto assim. Tomei um Macchiatto com caramelo. Tinha tudo pra ser delicioso, mas sei lá, acho que eles usam pouco pó e não capricham no preparo. Enfim, café bom somente em março, paciência.


Voltamos pra casa, cansadas e morrendo de frio. O trem da volta teve um fato bem engraçado e infantil. Ao nosso lado sentou uma mãe e suas duas filhinhas gêmeas (de uns 4 anos). Atrás da Louise mais umas 2 crianças de uns 5 anos cada. Ao lado desses dois, havia mais um sonolento. Atrás de mim e da Gabe mais alguns circulando e cantarolando. E junto conosco sentou um avô e suas duas netas, de uns 4 anos cada. Sentia-me numa creche. Era muita, mas muita criança. Vocês conseguem imaginar a folia, o corre-corre, pula aqui, cai lá, choros, puxão de cabelo de todos eles simultaneamente? Era uma baderninha muito engraçada. Foi muito divertido e fofo. Adoramos e nós, como qualquer menina, ficamos babando e falando cute-cute com elas. Essas duas meninas e o avô, que estavam na minha frente vieram conversando conosco. Certo momento, o avô disse para mim que sua neta era capaz de contar até 100. Eu perguntei se aquilo era verdade. Ela sorriu, disse que sim e ainda mais: iria provar contando de 1 a 100 ali na minha frente. Gente, eu não precisava daquilo pra acreditar. Mas ela insistiu e começou: one, two, three, ... Foi até os 60 muito bem, depois começou dos 30 de novo. Quase dormi entre o 80 e 90. Mas ela chegou ao one-hundred com sucesso e foi até um pouco mais além. Bati palmas e registrei aquele momento: era a coisa mais linda do mundo o sorriso que ela dava de alegria.


Chegamos em casa e o Iko, nosso amigo turco, queria companhia pra ir numa festa ali perto de casa. Eu e Louise aceitamos, por amizade, porque nossas pernas e carteiras renegavam aquilo até o fim. 




O lugar era legal. No porão tocava música estilo rap americano. No primeiro andar era uma banda de rock. A vocalista/baterista/guitarrista era uma mulher incrível. Fique atônita com o talento e voz dela. Era uma voz áspera, marcante, que me remetia levemente a Janis. Aquilo me lembrou muito o Empório e meus tempos de Anacrônica. Sandra, te cuida ai que aqui tem gente arrasando meu coração!





Ontem a Giulliana me ligou novamente e ficamos duas horas no telefone. Adoro de paixão falar com ela e amenizar a saudade. Giu, sem querer já fui naquela loja PAC SUN que você falou! Foi onde comprei minhas calças jeans. Realmente, a loja é sensacional. Tinha uma camiseta dos Beatles que por milésimos de segundos não cai na tentação de comprar. Ainda volto mais vezes lá! E o Olive Garden já descobri que tem um em Ogden, minha cidade. Vou com certeza! Depois quero o nome daquele prato que você disse ser delícia! ;)

Ontem também fomos à Praça do Natal. Muitas luzes, trenzinho e casa do Papai Noel. No centro, há um palco e esporadicamente acontecem apresentações. Para nossa sorte, iria começar um coral de crianças. Sentamos e ficamos babando na graciosidade das suas vozes agudas acompanhando suas cabecinhas que balançavam sem parar.



Após o jantar, fomos novamente no Applebee’s, mas dessa vez na nossa cidade. Sentei e fiquei admirando bem de perto a decoração: Elvis, Casablanca, Marilyn Monroe, Família Adams, Mel Gibson, Os Batutinhas, Marlon Brando, Oprah, Nicolle Kidman, Forest Gump, Carmen Miranda, Chevrolet, Corvette. Tudo em quadro, pequenos objetos, figuras e molduras. Bem ao estilo americano de ser.



As coisas aqui andam bem. Os horários de trabalho estão melhorando. Dia 04 de março é a previsão de término do meu contrato, ai é pé na estrada e fotos na máquina! Ansiedade mil! 

Estou com saudade de todos...









Demais.  
 


domingo, 18 de dezembro de 2011

Relato de um evento

Escrevi esse texto na sexta-feira. Final de semana fui pra SLC. Amanhã posto sobre nossa viagem! Hoje está tarde e estou sem cabeça pra isso agora! :)

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Cheguei sexta-feira às 01h46 do trabalho. A van que nos transporta para a Snowbasin chegou ao meio-dia e o tempo do trajeto é de 45 minutos. Na escala de trabalho eu estava programada pra iniciar às 15h30, porém às 13h40 já foram atrás dos bussers pra começarem a trabalhar; havia muita coisa pra fazer na preparação do evento.

Entrei na cozinha e comecei a organizar as travessas dos pães. Pra tudo eles usam guardanapos de tecido coloridos e dobraduras bonitas.  O jantar da noite teria uma entrada de pães com manteiga, depois viria a salada com os salad dressers (isso tudo ai significa molhos – o porquê do dress eu não sei), o jantar principal e sobremesas.  Depois disso fomos almoçar. Quando sai de casa disse pra Louise: hoje vou comer hambúrguer. Adivinha? O almoço dos funcionários era um hambúrguer com cheddar e batata frita. Cara, fiquei muito feliz. De noite, no jantar, adivinha? ERA HAMBÚRGUER DE NOVO! Cara, fiquei muito triste. De novo não! E era um sanduíche de carne de porco desfiada. Alerta super tenso. Depois disso tudo eu falei pra Louise: hambúrguer só daqui um mês.

Quando voltamos entramos no mar da loucura. O evento estava próximo e nós precisávamos fazer de tudo um pouco e correr pra tudo ficar pronto a tempo. Polir talheres, limpar mesas, cadeiras, colocar toalhas, limpar o chão, tirar as louças do armário e ainda tivemos uma reunião com os 22 bussers e mais os chefs da cozinha. Papo muito sério e muitas recomendações. Após todas as informações fomos pro salão. Colocamos os talheres na mesa (que eram 6 no total pra cada pessoa), os guardanapos numa dobradura de leque TERRÍVEL que precisa de uma semana amassado com elástico segurando pra ficar firme na mesa. Encostei num deles sem querer e ele nunca mais voltou a ser um leque – quase morri. 

Colocamos pratinhos da manteiga, bolinhas de manteiga e as taças de água. Depois colocamos o gelo nas taças (e mais alguns no chão que agora são apenas água), água e começamos a servir. Essa parte fica para os meninos fortes, porque a bandeja é grotescamente grande. Eu fiquei com a parte de repor as águas nas taças, atender os pedidos de soft drinques (refrigerantes, café e chá) e tirar os pratos. Corre pra lá e pra cá, nem vi a hora passar. Quando era 23h a única coisa que queria era sentar. Ai é que vem o problema: terminado o jantar e após retirar todos os copos e taças, nós SÓ temos que esperar todo mundo terminar de dançar e ir embora para então começar a organizar as mesas e tirar as toalhas. No meio da coreografia ouvi um estouro. Meu Deus, que diabos! Olhei pro palco e vejo papeizinhos de 567 cores voando no ar. My God, quem vai limpar isso e quando farão isso? A resposta é: nós é quem limpamos e fazemos isso depois da festa, antes de ir embora.  

No fim da noite, a maior conclusão e lição foi: EU ODEIO CONFETE E JAMAIS VOU USAR ISSO NUMA FESTA. Juro, tenho pena de quem limpa isso.

Mas valeu a pena. A cada dia descubro que gosto mais de eventos. Quero muito voltar pro Brasil com mil aprendizados (e pernas fortes e bonitas, resultado da minha correria).

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Resumão.

As informações estão bagunçadas. Devido ao trabalho e cansaço, não consigo mais postar todo dia. Vou fazer um resumão de tudo!

Fomos ao WalMart esses dias e fiz a FESTA. Comprei cortininha pro chuveiro (vou mudar de apartamento e morar com a Lorena, que acabou de chegar do Peru), toalhas, tapete, cabide, caixas, sapateira, saboneteira e coisas do gênero. Tudo rosa com bolinha: a coisa mais lindinha do mundo. Dá um look:




Achei também uma camisa social preta COM gravata. Infantil. Perfeita e exatamente como preciso para trabalhar. Maravilhosa e por apenas 12 dólares. Adivinha se comprei e se não serviu!?

Andamos muito (pra variar), rimos e nos divertimos. Hoje estou bem melhor. Conversei com o a Gabe depois de ter escrito aquela depressão. Fiz tanta coisa ao longo desse ano, vivo de uma maneira desenfreada que está sendo uma tortura para mim viver aqui longe de tudo, todos e não podendo fazer mil coisas simultâneas. Pela primeira vez em três anos eu estou atada a sentar e fazer uma coisa de cada vez. A ter uma só obrigação na vida: trabalhar na Estação de Esqui. Tenho meus outros interesses e compromisso e jamais vou me desligar ou falhar. Mas preciso ir com calma e aproveitar mais meu tempo aqui. Acesso diariamente meus e-mail e estou cuidando de várias funções aqui de Utah, mas tudo de uma maneira saudável e equilibrada. Quero ter tempo pra mim. A conversa com a Gabe foi muito esclarecedora. Estou muito triste comigo. Preciso melhorar minha vida acadêmica. Preciso colocar muita coisa nos eixos. Preciso me organizar de maneira certa. Preciso ter mais tempo pra viver. 

Viver... Morar... É engraçado pensar que vou viver aqui por mais de 3 meses. É um quarto do ano. São mais de 100 dias. Estamos providenciando vários itens da casa como panelas, móveis, tapetes, camas, lençol. Quem diria.  

O pessoal de Ogden não parece ter muitas práticas culturais. Semana que vem pretendo ir ao teatro ver uma peça de ballet (Quebra Nozes). Estou lendo um livro em inglês (The Lightning Thief). Quero andar muito nos brexós e lojas de usados aqui (hoje vi um sofá por 44 dólares, poltronas por 10 dólares e um TV de 52 polegadas por U$150). Achei muito estilo (e barato) esse tipo de loja que os EUA possuem de montão. Chamam de thrift store. 

Na sexta vou esquiar. Terei mil fotos e histórias pra contar. Posso esquiar na estação sem custo. Para um cliente normal custa mais de 1000 dólares um pacote de esqui pra estação inteira. Só preciso providenciar os equipamentos e a roupa adequada. 

Ontem, vejam só como a tecnologia é linda. A Giulliana me telefonou direto da França e nós ficamos uma hora no telefone proseando e matando a saudade. Foi muito bom conversar e ver que apesar de tempo ou distância aquela história de amizade verdadeira existe sim. Passa o tempo, muda o cenário, tem sentimento que nunca muda (a Mariana que o diga, né? [Hella e Nakashima, fiquem quietos, plis]).

Mas vai dizer que não é um absurdo conversar e ouvir a voz de pessoas tão longe. Obrigada, Graham Bell: você é demais! 

E por fim, a descoberta do ano: o sal daqui é cristalizado! É um intermediário entre o sal refinado e o grosso que temos no Brasil. E é muito mais salgado. Não sei qual é a maldita fonte de onde eles extraem esse composto iônico. Mas é muito mais forte do que o que nós usamos. Há três dias que eu me alimento comendo um pedaço de pão a cada garfada seguida de um copo d’água. No primeiro dia coloquei o sal mensurando pelo olhar (como toda boa cozinha faz, hahaha) e ficou salgado. Pensei: “Putz, errei na medida.” Tinha acabado de desligar o celular com o Hella, pensei que a culpa era do amor. No segundo dia, medi duas colherzinhas de café, como faço no Brasil. Também ficou salgado. Pensei: “Estou ficando LOKONA!” (vide vídeo YouTube, mais badalado aqui no Park Avenue). Ontem, quem fez o almoço foi a Gabe, que por sua vez carcou sal na comida (seguindo a quantidade normal, como faz no Brasil). Depois desses três dias eu não resisti, sentei e comecei a analisar a embalagem de sal. Pensamos juntas, eu e Gabe, que alguma coisa estava estranhamente e completamente errada. Foi ai que provamos o sal puro e constatamos o quão diferente é seu sabor. É forte e salgado, como se cada grãozinho fosse uma pedra de sal grosso. Enfim, acho que amanhã poderei aposentar a água e comer algo menos salgado.

Hoje o trabalho foi tranqüilo. Participei de um treinamento sobre como trabalhar com clientes e dados sobre a Estação de Esqui. A Snowbasin possui o mais avançado sistema computacional de controle das ferramentas. São 3 restaurantes e 1 café localizados nas montanhas. Eu trabalho no Ears Lodge. São várias dicas e recomendações sobre como se comunicar, tratar e observar os clientes. Tudo isso no meio de um grupo de pessoas de diversas idades e extremamente fluentes. Foi difícil. Mas juro que me esforço e quero aperfeiçoar muito meu inglês.

Agora que a Lorena chegou, irei tagarelar muito em inglês. Afinal, é a nossa língua em comum. Morando com a Louise e Gabriela, querendo ou não, a gente sempre se dá o luxo de conversar em português. Juro que é bem cansativo e dói o cérebro falar o dia todinho em inglês. De noite, quando volto do trabalho quero só cantar música brasileira e fofocar em português. Mas agora o cenário mudou. Vai ser bom.

Enfim. Amanhã será um grande dia. Vou acordar cedo, sair comprar roupas de esqui e mostrar a cidade pra Lorena. Depois, meio-dia vou pra estação. Vou trabalhar num evento. Parece que será grande. Muitas pessoas foram escaladas. E a previsão de volta é pra depois da meia noite. Haja pernas pra andar aquele salão o dia todo e braços pra segurar bandejas. Mas estou ansiosa. Espero que seja bem bacana.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Sobre o trabalho - reflexões na banheira.


Estou levemente bêbada. Mas estou ciente do que estou escrevendo. Trabalhei ontem e hoje como uma doida. Lustrei mais ou menos 500 cadeiras, umas 100 mesas e mais uns 1000 talheres. Repus guardanapos, sacos de lixo, saches de açúcar e copos. Conversei inglês, espanhol e português (são 33 intercambistas do Peru, Argentina e Brasil). Comi camarões, salmão, molho funghi, arroz, feijão e bife (agora temos panelas para cozinhar em nossa casa e a Snowbasin nos alimenta muito saudavelmente). Tomei banho de banheira, degustando um vinho de 6 dólares e aqui estou para relatar a minha vida americana.

Estou pra tirar minha carteira de trabalho nos EUA e já tenho o certificado da Vigilância Sanitária. Sem colar, tirei a melhor nota (todos os brasileiros dão uma de esperto e falam português durante a prova sem que nenhum dos avaliadores consiga entender o que está sendo dito). Mas não sei nada além do que você e trata-se da regra universal da cozinha: lavar as mãos antes de qualquer tarefa, ever.

Aprendi a organizar eventos sociais na Snowbasin. A colocar taças, talheres, xícaras e a dobrar guardanapos conforme a etiqueta manda. Tudo muito chique e requintado, cheio de detalhes e centímetros contados. Adorei fazer isso e essa semana vou trabalhar durante um evento, servindo as ladies and gentlemens. Tirei fotos do salão que trabalho. É amazing. 





Aprendi que americanos não possuem o menor senso de dinheiro, economia, environment friendly e desperdício de comida. Adoram tomar sopa com bolacha farelenta que só atormenta nossas vidas de bussers; pra limpar é um inferno. Eles compram sanduíches enormes e nem sequer conseguem terminá-los. Alguns almoçam puramente batata-frita. Outros pegam saches e mais saches de molho apenas pra bonito (e a gente não pode reaproveitar nada que está numa bandeja suja; tudo vai pro lixo).

Estou aprendendo rápido muitas coisas da vida americana e estou adorando essa experiência. Os amigos daqui estão se tornando uma boa família. Ontem conversei com Louise e Gabriela por horas; coisas da vida, fofocas e desabafos. O Lucas, Andréia, Gabriela e Guilherme são amigos brasileiros que sem essa viagem jamais descobriríamos no Brasil. E os turcos Iko e Gazi são os melhores vizinhos do Park Avenue: queridos, abertos a conversar e conhecer novas culturas. Esses dias dançamos música turca e samba: uma boa combinação quando se quer fortalecer novas amizades. A noite, normalmente jantamos todos juntos. A cada dia, alguns folgam e outros trabalham. Cada equipe formada pela rotina da Snowbasin é muito bem aproveitada. Fiz amigas argentinas (Julia, Sofia e Melissa) e conversamos sobre nossos países e suas diferenças.  Na Argentina eles possuem vestibulares, mas quem tirar uma determinada nota entra na faculdade. As salas de aula possuem cerca de 100 alunos. As praias argentinas possuem a água muito muito gelada (e eles realmente adoram Florianópolis). E tem as filipinas que adoram dizer “Oinhê, Letícia” durante meu expediente de 
trabalho a cada topada nos corredores da cozinha. 

A vida anda agitada e a cada dia temos novidades e coisas diferentes. Estou aprendendo a aceitar as diferenças e viver com elas. E acredite: são gigantes as diferenças (eles não tem creme de leite aqui, dá pra acreditar?).

Isso tudo que coloco aqui são relatos de apenas 2 dias. Imagine só após 3 meses...
Quero escrever um livro para o mundo.

--- observação às 23h – horário de Utah
Agora, nesse exato momento estamos conversando com o Gazi, nosso amigo turco. Ele está nos contando seus costumes mulçumanos e detalhes da vida matrimonial. Como pode uma distância física mudar completamente a cultura de um povo? Como pode nós estarmos no mesmo quarto com três etnias diferentes, curiosos e amigos a fim do mesmo objetivo: viajar, trabalhar e conhecer a vida. É muito engraçado conviver com tanta diferença, independência e novidades.  

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Dia 06 de dezembro

Quem está certo, quem está errado? O que é bom para você poderia ser bom para mim? Lidar com seres humanos é algo bem difícil e profundo. Compreender mente e coração exige mais do que saber significados diretos das palavras. Exige cultura, gestos, entonação e contexto. Percebo isso convivendo com pessoas de diferentes países. Alguns não entendem a ironia e entonação dos brasileiros. Normalmente somos mal interpretados e é necessário esclarecer o que realmente queríamos dizer sobre determinada piada... Aqui é bem diferente o diálogo. Entre brasileiros ou não, entre mesmas etnias ou não. Somos cada qual movidos pela personalidade de nossas mentes. Cada qual orientados pela força do sentimento e sensações. Cada um num rumo, que apesar de se encontrar em alguns pontos, nem sempre poderá andar diretamente alinhado.
Sentir-se sozinho, sentir-se deslocado faz parte. Ou você se enturma, ou você passa abatido. Ou você sai, ou você fica. Ou você sorri, ou você chora. Cada um escolhe o que quer pra si.


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Hoje fomos a várias lojas e compramos os planos de celular. Paramos para perguntar algumas dúvidas sobre o ônibus numa sapataria. Achei incrível o tamanho da cabeça do alce empalhada na parede. Na foto não aparenta, mas era ENORME. E ainda tinha uma botina com um pé de feijão. Isso não era uma fábula?


Achamos também lojas de bebidas. Aqui tudo é vendido em tamanho grande. Não entendo o porquê dessa mania de grandeza e desperdício.

Segue abaixo o meu querido pônei que ainda não escolhi o nome ao certo. Mas ele tem sido um bom amigo. Quem não tem girafa, dorme com o pônei ;)




Outra coisa que quero expressar é sobre os semáforos e a difícil lida que sofro para atravessar a rua. Não entendi ainda como funciona isso aqui nos EUA. A placa é bem clara: Pressione o botão. Ok! Tem até uma seta indicando qual rua você está atravessando. Mas ai, quando o boneco ilustrativo de “Pode atravessar, darling” aparece e você está pensando em caminhar rumo ao outro lado da avenida, ele já desaparece e tudo fica preto! Eu pensei comigo que meu tempo de travessia havia acabado. Mas não! O semáforo dos carros continuava vermelho. Logo, eles não podiam avançar. E onde estava o meu bonecopodeatravessar? Eu não estava nem na metade da rua e já tive que sair correndo. E eu juro que tento andar rápido. Mas nunca dá tempo de chegar do outro lado. Ainda preciso aprender sobre isso.





E não se preocupem, não vou abandonar meu amor pelas girafas. Já fiz questão de adquirir um bem relacionado às minhas doces pescoçudas. Logo posto fotos.  

Dia 05 de dezembro

Hoje acordei às 10h. Foi tão bom, mas logo aquilo se tornou desesperador. O que aconteceu foi que eu não mudei o horário do Brasil do meu relógio de pulso. Gosto de pensar no que as pessoas podem estar fazendo e no que eu possivelmente estaria fazendo. Ai eu faço as contas e converto as horas para o horário local. Mas na hora que vi no relógio 15h eu pensei: Meudeus! Se eu somar 5 horas, em Utah são 18h. COMO É QUE EU DORMI ATÉ ÀS 18H??? Fiquei em pânico e nem sequer lembrei-me de olhar pela janela para pensar comigo que a luz do dia não estaria tão bonita se realmente fossem 18h. Hahaha. Que bobinha, ainda estou em Jet Lag.

Sai para a rua e observei com calma a vista que temos logo a frente do Park Avenue: lindas montanhas com neve.  Caminhei pela Avenida. Dobrei à esquerda e novamente vejo montanhas. Isso não é nem um pouco ruim para mim. O plano do dia era ir ao Wall Mart.

No caminho havia uma série de caixas com jornais à venda. Cada um pega o seu e paga pelo o que retirou. Aqui o povo é muito honesto. Dá pra imaginar isso no Brasil? Tem gente que rouba até cardápio de bar... Quem dirá jornal!
Andando pela Washington DC avistei uma loja chamada com as palavras mágicas na vitrina: OUTLET. Olhei mais perto e vi o anúncio: Duas malas de viagem grandes (tipo 1,20x0,80m) com rodinhas por U$ 5,00.

Para tudo: CINCO DÓLARES POR DUAS MALAS GRANDES DE VIAGEM DA REEBOK? Vou entrar!

Era uma loja de montanhismo e tinha o que eu justamente queria: itens de sobrevivência nos EUA como luvas impermeáveis, gorro forrado e botas pra neve. Achei tudo isso e mais uma toalha minúscula (cerca de 1,5m²) que seca o corpo inteiro e é da finura de um papel. A Giulliana que vivia dizendo que isso era muito útil para malas na qual mal cabe nossas coisas femininas (tipo maquiagem, esmalte, bijuterias, minhas 56 peças de roupas e MAIS a tolha de banho). Comprei esses 4 itens por U$ 53,00. Nem vou mais comentar sobre a barateza das coisas, ok? Cansei.

Depois, tive que voltar pra casa. Aquela caixa enorme da bota me desanimou a andar até o Wall Mart (onde eu provavelmente adquiriria mais sacolas). Dei uma volta na quadra a fim de visualizar mais casas, igrejas (pra variar) e as montanhas. Vi nosso vizinho rapper e senti uma ponta de medo. Ele é MUITO RAPPER, igualzinho àqueles dos filmes americanos. Mas dizem que Utah é muito segura. Quem já assistiu Onde os Fracos Não Tem Vez que o diga, né?

Fui então para a minha missão do dia: comunicar-me em inglês para abrir uma conta bancária e comprar um plano de celular. Ambos necessitam de um vocabulário bem específico cujo Phil Youngs não ensinou ainda (ou eu faltei nessa aula também?). Chegando à Wells Fargo, além de ganhar um PÔNEI de pelúcia e ser muuuuito bem tratada pelo Bryan e o Tyson, falei mais português do que inglês. Tyson morou em Manaus por 2 anos e Bryan na Argentina por 4 anos. Ambos adoram o Brasil, mas Tyson queria praticar um teco de português com os intercambistas, só pra não esquecer completamente a língua tão bem aprendida. Foi louco conversar simultaneamente com um em português e com o outro funcionário em inglês. Eles nem sequer me davam tempo pra pensar. Era “Sim, o nordeste é muito lindo” olhando pra esquerda e mal virando o rosto tinha que dizer “How many numbers I need to put in my password?”. Sim eu adoro a cidade de Curitiba, but twelve numbers is too much to me memorize.  Mereço?

Sai dali e fui em duas lojas de celular. A Verizon e a T-Mobile. A primeira, boatos fortes que é melhor, porém não faz ligações internacionais. A segunda, por U$ 60,00 posso ligar ILIMITADO pra qualquer número nos EUA e números fixos no Brasil. Posso mandar mensagens ILIMITADAS nos EUA e no Brasil. Iiiih, tá com nada, heim TIM Liberty?

Pra sair do meu regime americano de comidas pouco saudáveis, fui ao Subway da esquina. Queria muito saber como é aqui nos EUA. Diria que a mesma coisa. Porém ao invés de picles eles têm japaleños. E o cheddar deles é ralado. Tem uns 4 sabores diferentes. Mas o resto tudo igual. Ah claro, o Subway do dia custa U$ 2,99 dólares.

Voltei para casa, uma vez que as meninas iriam voltar do trabalho e nosso combinado era lavar a roupa após o expediente delas. A Louise continua sem mala, logo ela precisava lavar as roupas pra usar amanhã as mesmas. A lavanderia é igual às dos filmes americanos: você traz suas cositas, coloca umas moedinhas e senta em cima da máquina enquanto espera a lavagem. Depois de 30 minutos, retira as peças úmidas e coloca na secadora. Mais 3 moedinhas e dali 30 minutos tudo está seco. No total se gasta U$ 2,00 por um serviço de limpeza que no Brasil paguei R$ 15,00 por um único moletom.

Subimos e tínhamos um plano bem tramado de sair para conhecer um bar bem próximo de nossas casas. O bar estava vazio, uma vez que era segunda-feira. Meia dúzia de bêbados e nós estávamos lá brindando ao som de Salud, Cheers, Saúde e Fuck you. Estou aprendendo muitas palavras novas além do english.

A diversão e dança funcionava ao ritmo capitalista: por 1 dólar você escolhe a música, senão teria que ouvir uns rap gospels que não faço ideia de quem já tenha gostado na vida. 
Escolhemos samba de início e a tentativa frustrada de ensinar a galera nos incentivou a colocar músicas engraçadas: country, salsa, sertanejo, Black and Peas... Mas o mais engraçado foi descobrir o quão universal algumas coisas podem ser deixando de lado a diferença de língua ou cultura e partindo para uma coreografia de Macarena que sem ensaio algum estava bem próximo do Bolshoi. Fiz até um vídeo. Quer rir? Assista:





Voltamos para casa bem cansadas. Amanhã preciso tirar minha licença para trabalhar em restaurante e ir ao WalMart. Preciso comprar uma gravata, camisa preta e calça social. Já imaginou a cena? Esse será o meu uniforme na Snowbasin. Se minha mãe lesse isso, diria: até parece um Bruninho de verdade!

(MUITO interna essa, hein? Se você entendeu, toca aqui BROTHER o/).