sábado, 4 de fevereiro de 2012

Viagem para Las Vegas - parte 1

Terça-feira

Saímos do trabalho com um sentimento de incredulidade. Em poucas horas estaríamos em Vegas. A empolgação era  absurda e o tempo curtíssimo. Eu e a Déa pegamos a primeira van e chegaríamos antes para tomar banho. A Gabe perdeu a condução e ficou chorando as pitangas na Snowbasin. Lucas e Louise tinham a missão de correr no Rental Car e pegar nosso Fiesta verde limão fosforescente. Na correria e todos atrasados, saímos às 7:00PM.


Louise abastecendo ao estilo americano.

Fiesta verdinho.

Estávamos morrendo de fome. Paramos num restaurante típico dos EUA, vulgo Mc Donalds. E acreditem, foi minha primeira vez comendo Mc aqui nos states. A máquina de refrigerantes tem muito mais opções e em duas posições diferentes tem Coca-Cola. Fizemos os pedidos e eu quis inovar com algo diferente chamado Angus (tipo um cheese bacon) – aqui também tem Big Mac e Quarteirão.


Galerê faminta.


Trabalhei um pouco no computador, mas o efeito do Dramin me forçou a dormir. Eram 7 horas de longa viagem entre canyons e montanhas cinzas. No meio do trajeto paramos para vislumbrar a noite estrelada e gelada. Os paredões eram incríveis; a natureza é magnífica.

Voltei a dormir e acordei somente quando estávamos a poucas milhas de Vegas. Havia um borrão amarelo em meio ao deserto. Havia luzes de todas as cores, outdoors que piscavam e flechas que indicavam a 


proximidade de Vegas. A cada milha ultrapassada a emoção crescia. Para todos nós aquela viagem era um misto de sonho com filme hollywodiano.




Las Vegas é basicamente uma única rua onde tudo acontece e onde os melhores hotéis e cassinos residem.  Chamada de Las Vegas Boulevard, a rua principal é linda durante o dia e maravilhosa à noite. Tem um chame americano moderno, mas o que mais me chamou  atenção é o glamour e majestosidade das construções e complementos: passarelas de vidro, telões gigantescos, escadas de mármore, estrelas da fama, portas giratórias automática, tetos magníficos, elevadores ágeis, escadas rolantes dentro dos hotéis (a caráter de passeio), quedas de águas, fontes com estátuas, pinturas caprichosas, artes refinadas, palmeiras que animavam o clima ensolarado, restaurantes deliciosos, lojas de marcas famosérrimas, preços exorbitantes, lustres esplendorosos, bares famosos, bandeiras americanas, réplicas da torre Eiffel e Estátua da Liberdade,... Se eu realmente quisesse traduzir tudo que senti ao pousar o olhar sobre a cidade, diria fabulosa.



























São milhares de fotos na memória da câmera e vou fazer um álbum exclusivo para Las Vegas no facebook. Farei mais posts do que o número de dias hospedados, porque cada segundo lá me rendeu longos momentos inesquecíveis.

PRIMEIRA NOITE EM LAS VEGAS

Flamingo foi nosso lar em Vegas; não era um dos mais luxuosos, mas era o mais bem localizado. Apenas eu e a Déa tivemos pique de chegar às 3:00 AM e nos arrumarmos para sair. Na verdade a Louise e o Lucas tinham o meu perdão porque eles não dormiram a viagem toda; a Gabe estava enjoada do Mc Donalds o que também é compreensível. Nem precisei falar nada para a Déa, era muito claro o pensamento das duas: estamos em Vegas e dormir é a última coisa que iremos fazer aqui.


Fizemos uma produção rápida e pegamos um táxi com destino ao Hotel da MGM. Recebi muitas indicações e referências do Studio 54 - uma festa famosa e cenário de filmes. Estava fechado e tentamos achar party no Tabu. Fechado. Cadê a Vegas que nunca dorme? 



Andamos pelo cassino, mas nosso plano não era jogar. Sentamos no Bar do MGM e pedimos duas cervejas. Na metade do meu copo, a Déa derrubou o restante do conteúdo com um esbarrão e ganhei uma nova. Do meu lado direito estavam sentadas duas meninas - a Deby e a Jess. Ambas eram waitress no Studio 54 e estavam ali no pós-expediente para jantar. Eram engraçadas e gentis. Prometerem champagne se voltássemos no dia seguinte. O esquema aqui é se enturmar com a galera da night. A lista de opções de festas já começava a surgir.









Caminhamos e registramos em fotos as diversas atrações do hotel. Na saída do MGM avistei o hotel do Hooters. Saímos as duas correndo pela rodovia. Tiramos fotos e fomos embora às 6AM. 

Amanhã contarei sobre a manhã de quarta-feira. Fizemos um super turismo e tirei mais de 200 fotos em menos de 4 horas. Visitamos hotéis lindos, inclusive aquele que foi cenário do filme Hangover. 

Tenho muitos relatos, dicas e quero detalhar tudo que vi. Mas não posso contar nada além disso. A regra em Vegas é clara: "What happens in vegas, stays in Vegas".



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Chegamos à metade. E agora, José?

Colo e carinho.

Hoje estou exatamente no meio da viagem. Já se passaram 52 dias. Faltam mais 52.

O que eu sinto é que já fizemos, sim, muitas festas, passeios e fotos. Já conhecemos muitas pessoas, já chorei de saudades de casa, já liguei para vários amigos. Sinto que o tempo voa em alguns instantes e  em outros se arrasta. Agora, estando exatamente no meio de tudo, paro e penso: de quem vou sentir saudades no final?



Louise, Iko, Angela and Veg.

Esses dias teve a despedida do Eli. Um americano bem engraçado e animado. Ele foi para  a Califórnia e antes de partir fez uma semana de abraços e nostalgias. Um dia fomos ao Bar dos Beatles, outro cozinhamos comida brasileira para ele. Na sua última noite aqui em Ogden saímos para jantar fora. No último dia de trabalho, dei um forte abraço e as palavras “good luck” foram tudo que consegui pensar na hora.

Parece que 52 dias é pouco, né? Mas não é.

Em 52 dias já senti muitas saudades. Das meninas da faculdade e festas que fazíamos. Das conversas e jantares com a Giu e Di. Saudades da Georgia, Lis e Isinha e do tempo de ensino médio sentadas nas arquibancadas do Cefet. Senti muita saudade do Jamil e nossos cafés. Do Naka e Bley, suas palhaçadas e rabos de galo no Saint Patrick. Senti muita falta da Mariana, a pessoa mais meiga que eu tenho na minha vida. Senti falta do Danilo e Daniel no Empório (e senti muita inveja de quem foi no show da Anacrônica). Sinto falta até do Alberti e suas longas reuniões. Um pouco das aulas de engenharia também fazem falta. Saudades das meninas da Editora, da Dani que é tão inteligente. Como será que anda a Branca? Meus pais falo quase todos os dias, mas dá um aperto na hora de desligar o telefone (se não fosse pelo Hella, eles ainda não teriam visto nenhuma foto da viagem). Saudades imensas dos passeios de moto com o Doo, dos abraços da Bruninha, da rua da minha casa e do caminho para a faculdade. Sinto falta do bairro Orleans. Saudade de quem mora lá, principalmente.

Porém, agora tem o outro lado da moeda. Em 52 dias já conheci muito bem as pessoas daqui. Muitos deles já se tornaram amigos de verdade. Nesses 52 dias já visitei muito a casa da Ivy e da Angela. Jantamos diversas vezes, dormi outras tantas lá. Já passei horas no quarto das argentinas falando bobagens e rindo à toa. O Iko vive aqui com a gente e eu adoro a companhia dele. Esses dias ele comprou suco e pãezinhos para mim e para as meninas tomarmos café da manhã antes de sairmos para esquiar. O Veg vem nos visitar todos os dias e quando não nos vemos, admitimos: dá até saudade ficar um dia sem se ver. Cozinhamos todos juntos às vezes. Algumas vezes cada um faz um prato e nos reunirmos para jantar juntos. Já fizemos feijão para o prédio inteiro. Já fomos no Bar dos Beatles umas tantas vezes, sempre com novos parceiros. Os brasileiros sempre estão juntos, pra lá e pra cá. E o Carlo diz que não sabe como serão os seus dias de verão sem a gente aqui.



Sofia little.
Ensinei o Carlo a dizer "eu te amo"!

E agora? De quem vou sentir falta no final?

Acho que de todos. Vou sentir saudades dessa vida temporária que aqui tivemos. Até que gostei dessa história de morar sozinha, cozinhar, lavar roupa e fazer compra do mês. Gostei de ter duas irmãs, brigar pela bagunça e xingar quando acordamos de mau humor. Amei ainda mais o fato de podermos chorar juntas, pedir desculpas, se abraçar, reconciliar e tomar sorvete de madrugada. Já perdi as contas das tardes de risos, das ideias mirabolantes, das piadas infames e das brincadeiras que eu sempre caio. Já fizemos mil planos, dentre eles uma tatuagem na sola do pé. Dá pra imaginar nós três juntas? É lindo.
Louise, tipo mãe, filha, irmã.

  
Não sei se vocês me entendem, mas no começo eu só lamentava por uma saudade. Agora me sinto dividida. Até cogitei ficar mais tempo. Mas acho que o melhor é voltar aqui outras vezes com a desculpa de visitar os amigos. Em breve cada um vai para o seu país de origem. Cada um num canto do mundo. E eu quero ir atrás de todos, relembrar e reviver cada excelente momento que aqui tivemos. (E não tenha dúvidas, você vai comigo em todas as viagens, Hella. Ready?)

O motivo do título.

É claro que a minha altura não seria uma característica despercebida. Um dia ficamos parte da manhã só calculando quantos feet eu teria. Chegamos ao resultado de 4.8 ft. É pouco. A Sierra, uma garota que trabalha conosco, sempre coloca a mão na minha cabeça e diz: "so cute". Na verdade, já perdi as contas de quantas vezes já ouvi isso.

Ivy and Veg.


Ivy, Chester, Veg and Lovely.
Iko, nosso gigante favorito.
No começo achava que era sacanagem e implicância, agora eu vejo que eles falam muito disso porque aqui não é nem um pouco comum pessoas baixinhas. O Lucas insiste em dizer que sou anã. Alguém avisa a ele que nanismo (há!) só é considerado nas mulheres menores de 1,40m (UFA)! Segundo o Wikipédia, né? 

Hoje em dia eu me divirto e faço farra quando o assunto é altura. Tem um cliente que vem no restaurante todos os dias e que já me conhece. Toda vez que ele me vê, aponta e diz para mim: "148 centimeters!!". E eu respondo: "That's right!" 

Meu chefe é francês e quando passa por mim sempre me cumprimenta com "bonjour, petite". Todos da cozinha fazem comentários ou esbarram na porta sem notar que estou do outro lado, afinal a janelinha é bem mais alta do que o topo da minha franja. 


Outro funcionário, um dia desses, disse que queria me colocar no seu bolso. Olhei bem séria para ele porque no fundo não entendi: será que foi uma piada ou cantada? Conclui que pelo fato de ele ter quase 2 metros de altura era uma piada. 


O Chef Scott sempre faz alguma observação ao passar por mim. Ele é muito muito alto, mas jura que sua mãe e seu pai possuem algo próximo à minha altura. Eu duvido.
Chef Scott
sempre faz graça quando me vê.



Mas o que eu mais me divirto é a mania que o pessoal tem de abraçar e me levantar do chão. Adoro isso. Acho engraçado e me sinto a baixinha mais feliz do mundo. Além disso, a nova moda são fotos-com-a-Letícia-no-colo. Todo mundo já teve essa chance. 

Lucas, o mais louco de todos nessa viagem.


Esses dias a van atolou (tinha muita muita muita neve) e eu era uma das últimas a sair. Um menino se ofereceu para me ajudar a sair. Pegou=me nas costas dele, deu três passos, virou de costas para um morro enorme de neve e deixou o corpo dele pender para trás (mas quem estava mais atrás era eu). Cai como um peixe dentro d'água e afundei em meio a neve. Mais do que depressa grudei na jaqueta dele e puxei ele pra neve. Nakashima e Hella me conhecem - quando quero brincar até que fico fortinha. Fizemos guerra na neve e até a nossa alma ficou congelada. Apesar de tudo (molhada) eu dei muita risada. Divirto-me muito com todos daqui. 



Gabe e argentinos no trem.




terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Cassinos em Wendover (Nevada)


Por U$ 18,00: passagem de ônibus (Ogden - Wendover) + entrada no cassino. 

Na entrada recebi vários cupons que no total somavam os meus 18 bucks investidos no início da viagem. Um dos cupons dava direito a U$5 em nota (dinheiro mesmo). O outro dava direito a cincão no passaporte das máquinas de caça-níqueis. E o melhor de todos era o de entrada no restaurante. Open food and open bar. A pergunta que não quer calar: será que vale a pena?
Wendover fica em Nevada. É uma cidade turística, porém sua fama se deve pelos jogos. 

Foram 4 horas de viagem, sendo que saímos de Ogden às 4pm. No ônibus fomos atendidos com refrigerantes e ludibriados por um jogo de bingo; cada rodada valendo 1 dólar. Até que o tempo passou rápido (mesmo sem vencer nenhuma partida). Naquele momento já pressentia: a minha vida está, definitivamente, pro love.

Gabriela achando que ia ganhar naquela noite.

Na entrada do Casino Montego Bay fiquei pasma com a quantidade de espelhos, luzes, tapetes coloridos e piscas-piscas para todos os lados. Acho que o plano deles é te deixar meio tonto e perdido mesmo, se irritar de caminhar e fixar a bunda em alguma poltrona em frente às máquinas-roubadoras-de-dinheiro. Fotos dentro do salão são proibidas, mas como brasileiro não entende esse tipo de recado, então tudo bem.

Foto no banheiro com a Ivy.




Primeiro fomos jantar. O buffet era livre e a variedade era IMENSA. Tinha pizza, comida japonesa, churrasco, saladas, tortas, massas, comida chinesa e camarões. De sobremesa: máquinas de sorvetes, caldas de todos os sabores, uma vitrina repleta de bolos, cup cakes, tortas, doces de todos os tipos. Para beber: a melhor pedida é a soda; com refil até dizer chega.
Buffet.

A única regra no cassino é a seguinte: tudo é liberado e gostoso, mas deixe gorjetas generosas se quiser ser bem atendido numa próxima vez. Enquanto eu ia passando pelas mesas, via aqueles montes de notas de 1 dólar em meio aos pratos sujos.

Perguntei-me se os atendentes ganhavam bem num local de trabalho como aqueles. Numa conversa com brasileiros que ali estavam a passeio, mas trabalhavam num cassino próximo, descobri: cerca de 200 dólares por noite de tips. Dá pra acreditar? É assim que eles vivem e é assim que os clientes perdem dinheiro.           

Máquina de sorvete e buffet ao fundo.

Para jogar, basta fazer seu cadastro e ter em mãos um passaporte que libera qualquer maquininha. Sentei na primeira e perdi todos os meus preciosos 5 dólares. Que ódio. Detestei esse tipo de programa.

Entrada do Montego Bay.

Caça-níqueis da perdição.


Gabe e Sofia, passeando no hotel.

Caminhamos e fomos para outro cassino, Rainbow. Lá os jogos são mais baratos. Cerca de 15 cents ou tem até por 1 cent a jogada. Claro que você ganha bem pouco também, mas para iniciantes isso é excelente. Sentei, coloquei mais 5 dólares e cruzei os dedos. Puxei a alavanca, 9 linhas, 1 jogada. Perdi. Puxa a alavanca de novo, 20 linhas, 2 jogadas. Perdi. A única coisa que variou na noite foram o número de linhas e jogadas. Em todas perdi. Dá pra ser tão azarada assim?

Repare nos rainbows no tapete! Muitas cores, tudo lindo.



Fui pra mesa de apostas. Comprei o mínimo da mesa, apostei tudo na roleta. Números entre 19 e 36. A tela do computador me dizia que eu tinha 86% de chances. A bolinha parou no 6. Olhei para o lado e perguntei: podemos ir embora?

Em meio às jogadas, as meninas de saia e decote passam e perguntam o que você quer beber. É assim mesmo, qualquer coisa e a vontade. Pedi marguerita. Esqueci de dar gorjeta e ela nunca mais voltou a me perguntar nada.

Enquanto isso, muitos homens bajulavam as meninas e a troca de interesses era clara: elas querem gorjetas e por isso trazem mais bebidas. Os homens querem mais bebidas e ganhar (ou perder) dinheiro. É muito fácil ficar bêbado, perder o controle e gastar muito dinheiro ali. Aquilo é viciante. A Louise foi numa máquina, levou sorte e ganhou 60 dólares. Logo em seguida fui eu, Lucas e mais uns 15 negos tentar a mesma jogada, na mesma máquina. É claro que a única vitoriosa foi ela. E a máquina logo recuperou o dinheiro perdido com os trouxas da sequência. Agora tudo faz sentido. Mas na hora, você só pensa em apostar e ter uma chance de ganhar.   
Rainbow.

Teve gente que perdeu mais de 100 dólares nessa brincadeira!

Resumindo, além dos meus 18 dólares no começo da noite, joguei mais 17 pro alto. Mas acho que 35 dólares até que compensa um jantar, uma viagem e uma marguerita, não é mesmo?