sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Café, amigos e um diário completo.

Angela (Filipinas)

A cada dia eu deposito mais amor nessa cidade e nas pessoas. Sinto que “all you need is Love” realmente faz todo o sentido se for levado a sério. Talvez você não entenda, nem concorde. Mas depois uma causa é abraçada ou a partir do momento que há paixão por alguma tarefa/lugar tudo se torna diferente. Há mais cores e cheiros. Os sabores são melhores e a alegria é constante.

São muitos acontecimentos para uma só pessoa relatar. Até parece que aqui a vida é muito agitada e todo dia temos um novo motivo para festar ou registrar. Até parece que sempre fazemos compras, saímos pra conhecer a cidade ou que trabalhamos de um jeito variado, cansativo, mas gratificante. Bom, a verdade é que a vida em Ogden é assim mesmo.


Carlo (Filipinas), Gabe (Brasil) e Sofia (Argentina).


Dia 03/01 tivemos um churrasco de despedida do Chester. Ele está aqui já há quase 1 ano e por isso deverá retornar ao seu país de origem, Filipinas.

Louise e o grupo de filipinos se organizaram e fizeram um churrasco para 45 pessoas nos fundos do prédio. Foi delicioso, frio e repleto de abraços. Ver o Chester feliz valeu cada segundo congelando na área aberta do Park Avenue.

Esqueci de contar como foi nosso amigo secreto. Aconteceu no dia 25 de dezembro, na sala de jogos. A troca de presentes foi rápida, mas o mais emocionante foi o Gazi, nosso vizinho turco. Ele não queria participar. Ele nem sai muito com o pessoal porque não faz o tipo dele (e nem a religião o permite). Ele se recusou, bateu o pé e disse que jamais participaria de uma brincadeira dessas conosco. A Gabe conversou muito com ele, brigaram e chegaram num acordo. Ele foi. Antes de entregar o seu presente, pediu alguns minutos. Disse que apesar do seu jeito durão ele gosta muito de todos e estava feliz por ter finalmente se dado a chance de participar conosco de uma festa. Agradeceu a algumas pessoas pela grande amizade que havia desenvolvido. Agradeceu a oportunidade de estar aqui. Saudades? Óbvio que isso sempre é pauta quando falamos em voltar pra casa. Saudade é uma palavra que merecia inclusão nas línguas estrangeiras. Enfim, nosso secret friend rendeu muito mais que meros presentes.

Dia 04/01 foi aniversário da Manuela, uma argentina muito querida e risonha. Adora os Beatles, tem um mural de fotos no quarto dela e adora café. Já me identifiquei! Na verdade todas as meninas da Argentina são muito legais. Essa história de rivalidade não está com nada. Vou acabar já com esse mito!

Argentinos, eu e a Louise!

Ontem acordei sem voz. Mas aos poucos foi voltando e agora já estou excelente. Após muitas vitaminas da Ivy, chá de gengibre da Gabe, chá de limão da Louise e mil cinegripes acho que superei meu primeiro resfriado. A dedicação de todos e alguns dias de repouso curam qualquer doença. 



Quinta passei a maior parte do meu dia com o Carlo, Ivy (both from Filipinas) e Veggie (from Austrália). Fomos ao supermercado japonês e depois no mercado dos filipinos. 
Achei balas de leite e biscoitos de coala. Hermínia, minha querida, essa é pra você! Olha o tamanho do pacote que eu comprei (aguarde fotos)! Senti-me uma japonesa completa com esses doces.








Depois fomos tomar café, costume que no Brasil eu adquiri com o Jamil, viciou e agora não consigo ficar sem. Aqui o café não é tão bom porque eles colocam muita água. Mas vasculhando bastante a cidade achei dois maravilhosos. Na quarta fui no All the Perks; extremamente aconchegante. Pedimos cafés grandes, sentamos para conversar e tirar fotos.




Ontem (quinta) também descobri o Grounds for coffee; um lugar incrível. O coffee shop é totalmente voltado à política de sustentabilidade. Havia mil cestos de reciclagem, almofadas sobre a vitrina, poltronas graciosas. O recibo da sua compra é enviado por sms no celular! Consciência em plena América. A-M-E-I. Volto lá, mas com certeza.
"Coffee Au Late, please"

Ivy, me e as poltronas.

Grounds for coffee,


Achei também um encarte com a lista de TODOS os lugares cults e com exposições da cidade. Será o meu futuro-mais-que-perfeito! Se é que dá pra existir algo assim, né Dani?

Depois fomos ao Iggy’s jantar. Junto ao três que passaram a tarde toda comigo, vieram Chester e Louise. Mais ao fim da noite chegaram todos os argentinos. Trata-se de um bar/restaurante esportista. Cheio de referências aos jogadores, esportes e com uma televisão gigante transmitindo o jogo de basquete. 


Comemos muito, mas muitíssimo bem. Como sempre a comida era exagerada e os suspiros versus os garfos eram constantes. Mas o jantar estava delicioso e recheado de risos. As cenas engraçadas e os bons momentos entre amigos estão se tornando extremamente freqüentes.


O que eu quero dizer, é que a cada dia estamos nos aproximando e criando laços. Mais afeto, mais amizade. E quem me conhece sabe como admiro isso. Hoje ensinei os filipinos a dizer “Eu te amo” e fazer coração com a mão (coisas que só a Letícia ensina).
Ensinamos também a cantarem Piriguéti, pois rir também é essencial.

Mas agora as coisas adquiriram um entrelace de amizades e sentimentos muito calorosos. No dia do aniversário da Manuela, por exemplo, fomos ao Bar dos Beatles para comemorar. Em quatro línguas diferentes cantamos felicitações de aniversários. Entendem o que eu digo? É muita gente diferente, estou muito longe de casa. De tudo que já havia visto. Sai de uma esfera que julgava grande para uma bolha ainda maior. Estou descobrindo a delícia de criar novos amigos tão diferentes (e tão iguais), sentir saudades (daqui e de lá), adorar estar aqui (e querer voltar).

E isso não é nem um pouco ruim. É maravilhoso. Se Deus quiser, vou voltar pra casa com a bagagem muito cheia. Cheia de novos valores, sentimentos, amizades, laços. Ontem ficamos uma boa parte do jantar combinando datas de viagens futuras. Quando que iríamos visitar uns aos outros no futuro. Em continentes tão longínquos que antes nem sequer sonhava em pisar; e agora morro de vontade de ir visitar.

Cada pessoa aqui tem sido muito especial. Estou bem feliz. Mas meus queridos brasileiros, don’t worry. Meu coração é bem grandão e não me esqueço de vocês não. Só estou acrescendo a cada dia coisas novas em minha vida: mais pessoas, mais amigos e mais rumos. Como sempre fiz. Como sempre farei.
Isso não muda a personalidade. Só engrandece a alma. E é o que eu concluo ao fim de um excelente dia.





quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Trabalho de busser


Apesar de bussering significar limpar, higienizar e organizar as mesas do restaurante existem outras competências subentendidas e pouco esclarecidas. Ao longo dos dias vamos descobrindo que na ausência de ketchup no estoque, quem deve correr atrás da reposição desse molho somos nós. Isso quando alguém não grita que o gelo acabou e você para pela primeira vez para pensar junto ao cliente: e da onde vem o gelo que sai dessa máquina?

No Ear’s Lodge já tenho minha rotina. Chego à estação, bato ponto e vou pro vestiário. Perco uns 4 minutos do meu dia tentando abrir o cadeado de senha (aqueles que têm que girar pra lá, um pouco pra cá e são impossíveis de abrir), coloco minha gravata pink, tag name, kronos card e começo meu dia. 


Na cozinha do Ear’s é preciso deixar preparado uma solução de limpeza para os talheres que fica ao lado da máquina dishwasher e outro balde com um produto químico para limpeza sanitária. É preciso repor copos, guardanapos, talheres, tampinhas, canudos (tanto na área interna como externa). Repor gelo foi uma descoberta fria e polir talheres algo que se tornou detestável. 

A rotina depende da movimentação dos clientes. Em horário de almoço as pernas não param um único instante, correndo de lá pra cá trazendo pratos, bandejas, copos e farelos. 


Sofia e Gabe no caixa.

Ivy na cozinha.

Na cozinha com a Sofia.

Sachês de todos os tipos.


Brasileiros e Filipina.

Angela cozinhando.

Scott, Chef da cozinha. E o mais alto. 

Hora do almoço.


Nos horários de menor pico varia: limpar mesas, passar aspirador, dobrar guardanapos, repor estoques de condimentos, usar o famoso (e pesado) mop (igualzinho ao dos marinheiros), alinhar as mesas, organizar perfeitamente as cadeiras segundo a estampa e quantidade certa. Além disso, organizamos o pedido de almoços das crianças do SkiSchool e DayCare. Adoro passear por lá e ver aquelas coisas minúsculas cheias de blusinhas de lã. 

Nos dias em que ficamos para fechar o restaurante precisamos puxar tudo pra perto dos caixas, cobrir, preencher lacunas e esvaziar tonéis. Limpamos o chão que sujamos ao longo do dia. Tiramos os lixos para fora e saímos com um cansaço imenso, porém algo chamado paycheck nos mantém firmes no trabalho. Pegamos a van de volta pra casa e quando não durmo tiro milhares de fotos (são cerca de 45 minutos o trajeto). 


Quando chego ao Park Avenue, rumo direto ao chuveiro quente e com direito a banho de banheira. As pernas agradecem. E a vizinha 
que espere. 


Gazi (Turquia) e eu na Snowbasin


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Bar dos Beatles

Esses dias indo pra Estação de Trem, olhei para a direita e algo chamou-me a atenção. Observei na 25th Street as quatro janelas de um bar; cada uma com uma foto de um Beatle. No mesmo instante, afirmei que aquele era um lugar que eu precisava conhecer.

Na semana seguinte saímos para jantar no Mac Cools. Trata-se de um bar/restaurante irlandês agradabilíssimo. 

Era uma quarta-feira, dia de música irlandesa ao vivo. Três alunos, um violino, duas flautas e uma professora. A música era envolvente e teve até demonstração de dança por parte da Louise e Lucas.

O restaurante nos convidou a ir embora (em dia de semana tudo fecha cedo) e eis que surgiu a oportunidade de finalizar a noite no Bar dos Beatles. 

Eu, Gabe e Rodrigo (outro intercambista brasileiro) entramos e nos deparamos com uma escada de carpete verde. Nas paredes não havia uma brecha sequer. A emoção foi crescendo a cada degrau.

 
O salão subterrâneo estava fechado, mas pelas frestas da grade pude ver de relance as milhares de fotos, cartazes, objetos e detalhes que retratavam o fanatismo do proprietário do bar pelo quarteto.

O bar inteiro era abarrotado de tudo que pudesse fazer referência aos reis do iê-iê: vinis, capas de tudo quanto é CD, filmes ou reportagens.

Tinha desde canetas, adesivos, notas de dinheiro (comemorativas) a até uma guitarra autografada pelo Paul. Dá pra imaginar a felicidade de uma beatlemaníaca?

Quem me conhece sabe o tamanho do sorriso que eu exibia ao olhar cada foto, disco ou sei lá o que. Vocês conseguem imaginar a cara que fiz ao ler as indicação dos banheiros feminino (Yoko) e masculino (John)? Simplesmente genial!
  
Experimentamos uma bebida chamada Long Island. Sabor uva, por favor. Delicioso. Registrei através de milhares de fotos o sonho de consumo que tornou minha noite memorável. Na saída, uma pergunta que deixou no ar uma grande esperança: o salão debaixo está disponível para festas. Em fevereiro já sabemos onde comemorar os meus 22 anos.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Festa de Natal.

Ontem (23/12), acordei cheia de tarefas na agenda. Às 6:00 am havia marcado uma reunião com o Lucas Furlan (coordenador geral do ESEJ). A reunião só começou às 7:00 am e durou 2 horas e meia! Depois, falei uma horinha com o Hella, desejamos votos de felicidade e Natal e sai pra rua. Fiz meu Social Security (tipo uma carteira de trabalho americana), passei no banco para preencher uns formulários (isenção de imposto de renda, taxas, coisas do tipo), passei no mercado mexicano aqui do lado (o dono é um querido. É um senhor mexicano, chama-se Miguel. Nós o chamamos de Miguelito.), troquei minhas notas de 1 dólar por quarters e fui pra lavanderia  com meu cesto rosa cheio de roupas, lençóis, toalhas, meu sobretudo inundado de molho barbecue (no dia que fui no Applebee's fiz a gentileza de derrubar o pote na minha cara e sujar todinho o meu casaco novo) e o sobretudo da Gabe.  

A lavanderia aqui é igualzinha dos filmes. Você leva suas peças de roupa no cesto, coloca em uma das 10 máquinas disponíveis. Adiciona sabão em pó. Fecha a tampa. Coloca 5 moedas de 25 cents pra lavar. Escolhe o tipo de lavagem. Depois de 30 min, tira as roupas da máquina e coloca na secadora. Mais 3 moedinha de 25 cents e mais 45 minutos de espera. E fim! Está tudo limpo, seco e cheiroso. Mas as moedinhas de 25 cents estão sumindo de vista! 

Depois de colocar as roupas pra lavar, fomos eu e Louise almoçar no restaurante mexicano anexo ao mercado mexicano do senhor Miguelito. Comi peixe (ai que saudade). A Louise carne com batata-frita (tsc tsc). Chamamos o Iko e fomos rumo ao WalMart.



Eu queria ir a pé, pra conhecer o caminho, saber a distância e tirar muitas fotos. Venci na argumentação. Louise implorou por um ônibus. Iko adorou a ideia, assim poderia nos mostrar a famosa sorveteria de 77 sabores.


A neve da rua está bem pouca. Na verdade, o que temos espalhado pelo chão é mais gelo. Por que é que quando estou aqui a neve insiste em demorar? Venha nevasca, venha logo! 

A sorveteria está de parabéns. Experimentei um de chocolate com marshmallow, sensacional. E uma dips de uva (é claro). O sorvete, pra variar, era enorme e mal consegui comer tudo. Continuamos a jornada.

Adoro ir no marcado porque lá tem de tudo que você imaginar. Comprei até linha e fio pra costurar o meu casaco e da Gabe. Achamos os itens pra nossa comida da noite: granulado verde e vermelho, forminhas, forma grande. Muito leite condensado, chocolate e ovos. Nossos pratos são a sobremesa, vulgo brigadeiro e bombomzão recheado. 

Sim, ontem nós fizemos uma FESTA DE NATAL (a fetsa foi ontem porque hoje e amanhã trabalhamos o dia todo em eventos natalinos na Snowbasin). Foi lindo! Todos os intercambistas do prédio foram convidados. Eram peruanos, argentinos, brasileiros, filipinos, turcos e até um tailandês.



A regra é que cada dupla deveria preparar um prato ou comida típica do seu país. Iríamos jantar todos juntos. Brindar o natal e revelar um amigo secreto sorteado esses dias. Os presentes foram adiados porque uma colega nossa está bem doente. Vamos esperar ela melhorar (acho que dia 25 será a parte 2 da festa).

Mas a comida estava sensacional. Frango filipino, noodles, tofu, arroz de forno com purê, salada turca, meudeus, era tanta coisa deliciosa. E metade desse povo ai é formado em gastronomia. Vai dizer...Estou num paraíso! hahaha



De sobremesa tínhamos donuts, cup cakes, bombomzão recheado (que é tipo um torta, sabe?) e nosso brigadeiro. Dá pra acreditar que eles viveram toda a existência deles sem nunca ter provado um brigadeirinho? Ah, não podíamos deixar de mostrar pra eles o melhor doce ever do mundo, né? 



Brindamos e dançamos muuuito. Tirei milhões de fotos, filmei muitas cenas engraçadas.
Quero lembrar dessa confraternização com muito orgulho. Foi tão bonito unir tanta gente diferente por um único ideal! É só por isso que eu gosto de datas festivas como essas. Porque elas realmente mexem com seu espírito e sentimentos. Que se danem presentes, a comida, a maquiagem, a roupa bonita. O negócio é vestir pijama de natal, abraçar quem você gosta e dizer isso olhando nos olhos da pessoa! A gente faz pouco e principalmente quando estamos a milhares de quilômetros é que percebemos o quão importante alguns e outro ai são em nossas vidas! 

Feliz Natal para vocês ai. A saudade é o de menos. Logo a gente mata. O importante é nunca esquecer, all we need is Love. E isso eu tenho de montão por vocês! :D


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Salt Lake City.

Sexta-feira cedo acordamos com um plano: vamos pra Salt Lake City. Pesquisamos preços de Hotel e descobrimos que nós, funcionárias da Snowbasin, poderíamos ficar num hotel da rede com desconto. Dormimos com luxo na Suíte Queen Double: me, Louise and Gabriela.



Descobrimos perto do Hotel uma Liquor Store e uma Wendy’s . Perfeitos pro jantar. Descobri um sanduíche melhor que Mc Donalds e descobri um segredo aqui nos EUA; na dúvida peça sempre médio. Os vendedores sempre perguntam: What size? Eu sempre fico na dúvida, gosto de ser daquelas em cima do muro: medium. Se o médio já é enorme, como será o large? Não quero nem ver!

Depois de alimentadas, fomos pra sessão maquiagem. A proposta da noite era irmos no The Hotel Elevator. Lá haveria uma festa onde parte do traje obrigatório era gorro ou cachecol (sugestivo). Três andares de música e diferentes ambientes. Tinha um Papai Noel gigante inflável, uma cabine de fotos instantâneas, dançarinas de biquíni (quem usa biquíni aqui no inverno???), sala de narguiles, caixa eletrônico dentro da balada e pulseirinhas coloridas por todos os lugares.



Eu e a Gabe fomos à cabine de fotos (óbvio que eu não perderia isso). Sensacional e como eu sempre havia assistido nos filmes: você senta, coloca suas 3 notas de 1 dólar (nada é de graça nessa vida), clica no formato/moldura da foto e uma voz feminina diz “Here we go”. Sorrimos e miramos os olhares para a câmera, FLASH, careta com olhares engraçados, FLASH, língua pra fora e bico de beijo, FLASH, o mesmo sorriso anterior e mais forçado, FLASH. Isso tudo em questão de 4 ou 5 segundos. A posição precisa ser mudada num piscar de olhos e não dá pra marcar bobeira, se ficar feia ou não gostar, a foto sai assim mesmo. 
Pulamos fora da cabine e a máquina cuspiu duas cópias em miniatura.

Estávamos um pouco desorientadas. No bar, quando fui pedir as bebidas, não havia cardápio nem menu. Ai olhei para as meninas pensando: “Water?” Era a única coisa que eu sabia que eles tinham com certeza. Ok, vamos confiar no barman: você escolhe nossa bebida (mas faça algo bem fraco e doce, plis?). Como todo brasileiro, sempre somos alvo de muito papo e simpatia. Conversamos com algumas pessoas e fizemos amizade com um barman mexicano. Ele dizia: “I hate english, let’s talk portuguese and spanish” e nós rimos muito com ele. No fim, ele nos mostrou um novo ambiente do Hotel Elevator: era uma espécie de porão com uma festa mexicana e com direito a música salsa! Era tudo que nós queríamos conhecer! Bailamos mucho! Paso aquí, dos allá. Arriba! A festa era divertida e tinha bexigas com gás hélio. Fiquei emocionada e como criança levei a lembrança pra casa/hotel. Pontualmente, às 2:00 am (aqui eles usam o sistema 12h) a música desligou, a luz acendeu e as portas se escancaram. Aquilo parecia um aviso. Interpretamos que deveríamos ir embora.



Fomos pro hotel e dormimos numa cama. Sei que isso é meio óbvio, mas estou apenas frisando para lembrá-los que estamos dormindo há duas semanas (eu) em colchões de ar. Finally uma cama de verdade. E grande! Dormiu eu e Gabe. Nem parecia que tinha alguém do meu lado. A Louise espaçosa ficou com a cama só pra ela. Dormiu de atravessado e com os braços bem abertos, só pra fazer inveja.

Acordei razoavelmente cedo (9:00 am) pra tomar banho e passar meus 34 cremes. As meninas sempre usam desse artifício pra dormir mais. Dizem que sou enrolada. Pff, baboseira (hahaha). Todas acordadas, tentamos (com certo sucesso) usar a máquina de café expresso do quarto. O café deles é muito ruim, não adianta insistir.



Pegamos um bondinho elétrico que dentro de uma linha/área é gratuito. Fugindo mais para a periferia há um custo que nós não fizemos questão de descobrir. Se não tivéssemos errado o sentido, jamais teríamos ido para a periferia, logo, não teríamos ter que pagar nada. O problema é que aqui tudo funciona e as leis são severas. Infringir coisas desse tipo pode custar quase 1000 dólares e uma deportação.



A cidade como um todo é muito moderna, glamorosa e toda enfeitada. Aqui eles levam muito a sério esse espírito natalino.  A maioria das árvores de natal é de verdade (sim, pinheiro mesmo) e tem pisca-pisca por todo-lugar-que-você-olha! A cidade de noite é linda, como nos filmes americanos. Em SLC nós sentimos muito frio. Eu, porque sou friorenta memo. A Louise porque queria comprar um casaco novo e saiu SEM coat pra não ter que carregar o casaco velho na volta (eu fui totalmente contra isso, Fátima, mas ela é muito teimosa).  A Gabe foi ludibriada pela Lou que estava quente e não precisava de casaco pesado pra sair de casa (Quente? Essa história não faz sentido pra mim até agora). Desde sexta-feira o clima aqui tem esfriado. O vento é forte e cortante. Gela até a alma. Isso significa que vem neve por ai. Uhul!
Indo para o shopping, paramos na frente do Planetário. Pra quem nunca foi, é como um observatório e tem muitas demonstrações/explicações sobre a lua, galáxia, satélites e planetas (claro). Entramos e parecíamos crianças em sua primeira aula de física; ficamos maravilhadas com a engenhosidade de algumas brincadeiras, vídeos, fotos e máquinas. Havia cenário pra fotografar e milhões de badulaques inúteis pra vender. Perdemos uma hora só ali, mas valeu a pena. A ciência é incrível.



O shopping Gateway é muito bonito, grande. Não é como os shoppings que conhecemos: é ao céu aberto, diversas lojas uma do lado da outra e você não consegue saber onde está, pra onde está indo e onde está quente. Achamos a área de alimentação. A Gabe sugeriu de primeira o Applebee’s. A fome disse sim, sem titubear. Pois veja a coinciência, ontem a Giu me recomendou justamente esse lugar. Entramos, pedimos uma entrada e pratos de carne (como faz falta a carne do Brasil). A entrada era enorme e só aquilo já haveria nos satisfeito, se não fosse a gula. O pânico foi crescendo quando os pratos chegaram: eram gigantes. A cada dia aprendo uma nova lição; agora sei o porquê da obesidade nesse país. A comida era deliciosa, mas não havia como devorar tudo. Lutamos, relutamos, rimos e choramos muito na mesa na tentativa de limpar o prato. Apenas a Gabe conseguiu finalizar (porque ela deu sorte e o dela era bem pequeno), mas eu e Lou não queríamos desperdiçar nenhum penny. Enfim, o purê de batata venceu e ficou pra trás.



Andamos muito, muito e muito no shopping. Ao fim do dia havia conquistado 2 sobretudos por U$ 26 dólares cada um. Dá pra crer nisso? Nem num brexó brasileiro eu faria essa façanha. Adoro o consumismo desse país! Achei calças jeans que ficam perfeitas pra mim. A numeração é esquisita. Para as calças, começa no zero; eu uso number  1. E de sapato? Uso número 2! Acho que é por isso que todos na Snowbasin me chamam de little girl, little baby, little one etc.

A única loja que merece comentários é a Victória Secret’s. MEUDEUS, que perdição. É um paraíso para as mulheres e o sistema de atendimento é perfeito. Você entra, elas mensuram seu corpinho e dizem qual o seu tamanho de lingerie no EUA (32B, pequenininha, of course). Ai você vai pro provador e experimenta todos os modelos da loja. Os modelos são tabelados e após a escolha de quais ficam bons, você nunca mais irá provar sutiã na vida. Basta mostrar seu cartão com os modelos que você assinalou que a vendedora lhe apresenta as 500 variações de estampas, justamente daqueles modelos. Ou seja, aquele que te serve, fica bom e você pode apenas ficar apontando e babando neles sem a necessidade de adivinhar ou testar a qualidade daquele bojo ou daquela alça. Quantos artifícios pra te convencer a comprar... Quase cai na deles. Mas resisti: depois do Ano Novo os preços caem muito. Dica da Giulliana!



Bom, apenas pra comentar que o melhor lugar pra comprar roupa é a Foverer 21. Muito barato. Às vezes você não dá sorte de achar algo que goste, mas vale a pena passar e vasculhar as sessões. Se não achar a roupa certa, pelo menos achará bons motivos pra rir. Eu e a Gabe adoramos ficar circulando nos shoppings.



Fomos na Starbucks. Afinal, é a melhor cafeteria daqui. Não gostei tanto assim. Tomei um Macchiatto com caramelo. Tinha tudo pra ser delicioso, mas sei lá, acho que eles usam pouco pó e não capricham no preparo. Enfim, café bom somente em março, paciência.


Voltamos pra casa, cansadas e morrendo de frio. O trem da volta teve um fato bem engraçado e infantil. Ao nosso lado sentou uma mãe e suas duas filhinhas gêmeas (de uns 4 anos). Atrás da Louise mais umas 2 crianças de uns 5 anos cada. Ao lado desses dois, havia mais um sonolento. Atrás de mim e da Gabe mais alguns circulando e cantarolando. E junto conosco sentou um avô e suas duas netas, de uns 4 anos cada. Sentia-me numa creche. Era muita, mas muita criança. Vocês conseguem imaginar a folia, o corre-corre, pula aqui, cai lá, choros, puxão de cabelo de todos eles simultaneamente? Era uma baderninha muito engraçada. Foi muito divertido e fofo. Adoramos e nós, como qualquer menina, ficamos babando e falando cute-cute com elas. Essas duas meninas e o avô, que estavam na minha frente vieram conversando conosco. Certo momento, o avô disse para mim que sua neta era capaz de contar até 100. Eu perguntei se aquilo era verdade. Ela sorriu, disse que sim e ainda mais: iria provar contando de 1 a 100 ali na minha frente. Gente, eu não precisava daquilo pra acreditar. Mas ela insistiu e começou: one, two, three, ... Foi até os 60 muito bem, depois começou dos 30 de novo. Quase dormi entre o 80 e 90. Mas ela chegou ao one-hundred com sucesso e foi até um pouco mais além. Bati palmas e registrei aquele momento: era a coisa mais linda do mundo o sorriso que ela dava de alegria.


Chegamos em casa e o Iko, nosso amigo turco, queria companhia pra ir numa festa ali perto de casa. Eu e Louise aceitamos, por amizade, porque nossas pernas e carteiras renegavam aquilo até o fim. 




O lugar era legal. No porão tocava música estilo rap americano. No primeiro andar era uma banda de rock. A vocalista/baterista/guitarrista era uma mulher incrível. Fique atônita com o talento e voz dela. Era uma voz áspera, marcante, que me remetia levemente a Janis. Aquilo me lembrou muito o Empório e meus tempos de Anacrônica. Sandra, te cuida ai que aqui tem gente arrasando meu coração!





Ontem a Giulliana me ligou novamente e ficamos duas horas no telefone. Adoro de paixão falar com ela e amenizar a saudade. Giu, sem querer já fui naquela loja PAC SUN que você falou! Foi onde comprei minhas calças jeans. Realmente, a loja é sensacional. Tinha uma camiseta dos Beatles que por milésimos de segundos não cai na tentação de comprar. Ainda volto mais vezes lá! E o Olive Garden já descobri que tem um em Ogden, minha cidade. Vou com certeza! Depois quero o nome daquele prato que você disse ser delícia! ;)

Ontem também fomos à Praça do Natal. Muitas luzes, trenzinho e casa do Papai Noel. No centro, há um palco e esporadicamente acontecem apresentações. Para nossa sorte, iria começar um coral de crianças. Sentamos e ficamos babando na graciosidade das suas vozes agudas acompanhando suas cabecinhas que balançavam sem parar.



Após o jantar, fomos novamente no Applebee’s, mas dessa vez na nossa cidade. Sentei e fiquei admirando bem de perto a decoração: Elvis, Casablanca, Marilyn Monroe, Família Adams, Mel Gibson, Os Batutinhas, Marlon Brando, Oprah, Nicolle Kidman, Forest Gump, Carmen Miranda, Chevrolet, Corvette. Tudo em quadro, pequenos objetos, figuras e molduras. Bem ao estilo americano de ser.



As coisas aqui andam bem. Os horários de trabalho estão melhorando. Dia 04 de março é a previsão de término do meu contrato, ai é pé na estrada e fotos na máquina! Ansiedade mil! 

Estou com saudade de todos...









Demais.