domingo, 4 de março de 2012

Curtas 3

Culinária

Quem me conhece sabe que um dos meus maiores prazeres é comer. Sei que estou infringindo um dos pecados capitais, mas é divino degustar novos sabores. Não encaro isso como um erro, sim como um talento. Aprendi com o Verissimo a encarar os itens da mesa dessa maneira.

Sempre que saímos para jantar eu peço por novidades. Sou adepta a tudo e sem nenhuma frescura.  O Panda Express é um fast-food chinês barato e gostoso. Além do custo-benefício ser excelente. O prato é enorme e você pode comer 1 entrada com 2 acompanhamentos. O camarão com molho de laranja é espetacular. Não recomendo o arroz com legumes porque fica muito seco (dentro daquele recipiente aquecido o dia todo). Peça água para beber e seu recibo será de 7 dólares. Já o Taco Bells é uma dica para quem quer economizar. Pedi um combo de burrito + chips + refrigerante e paguei U$3,47. Claro que não chega nem perto do Mc Donalds que possui o menu 1 dólar. Dá pra se alimentar de sanduíche McDuplo e batata pequena com 2 dólares.

Um restaurante que se tornou segundo lar para mim foi o Applebees. Além de barato o lugar é muito aconchegante. Já provamos diversos pratos e entradas. A Gabe é apaixonada pelo molho de espinafre. Eu sou louca por qualquer coisa que envolva carne. Existe uma promoção no almoço onde você pede uma entrada e dois pratos por U$20. Pedimos até sobremesa depois de descobrir a conta: cookie de chocolate com sorvete.

Aqui tem diversas churrascarias, mas todas caras. Em SLC descobrimos um Brazilian Grill chamado Tucanos onde por U$14 você é livre para degustar todas as carnes e Buffet. Tem até comida japonesa. Mas é claro que o que nos interessava mesmo era o arroz, feijão, farofa com gordas fatias de picanha. Falta sal em tudo e juro que não é exagero meu. O mais engraçado de lá é como eles cantam “Parabéns” aos aniversariantes. Num ritmo desenfreado que jamais vi em qualquer canto do nosso país (ao fundo de um pandeiro muito descoordenado). Mas a rádio era boa e ficamos felizes em ouvir Renato Russo durante a alimentação. Em Vegas tentamos o Pampas que era outro Brazilian Grill. Nesse nos decepcionamos porque além de ser mais caro (U$20) o único tipo de carne era picanha. A gente adora, mas tem que ter variedade. No Tucanos tinha todos os tipos – inclusive coração de galinha.

Seguindo as orientações da minha querida amiga Giu fomos no Olive Garden. Um restaurante italiano bem refinado. Pedimos vinho seguido por entrada, prato principal e sobremesa. O custo foi um pouco elevado (U$31), mas pensando que eu ganho em dólares até que vale a pena.

Roosters é uma cervejaria que funciona como bar e restaurante. Eles produzem uma cerveja bem popular em Utah chamada Honey Wheat. O bar é decorado com galos (óbvio) e com excelente cardápio (degustativo, não de celulose). O custo é razoável. Já visitamos várias vezes porque é do lado de casa.

O Iggys é um sport bar cheio de televisões e artigos esportivos. Tem o menu U$10 onde você pede uma salada ou sopa, prato principal e sobremesa. Já perceberam como todos os restaurantes possuem a tradição da entrada (sopa ou salada)? Sopa até faz bastante sentido, porque aqui é bem frio. Outra coisa é que em qualquer bar ou restaurante que você vá eles servem água sem nem perguntar. E eles sempre repõem quando percebem que o copo está esvaziando. É free e faz um bem danado aqui nas altas altitudes.

Já escrevi sobre o Simply Sushi em Salt Lake City. Por 20 dólares você pega a opção All you can eat e come tudo que puder. O Athenes é aquele restaurante grego que fomos no meu aniversário. A melhor parte foi o vinho com carne de carneiro. O MacCools foi um dos primeiros restaurantes que visitamos aqui em Ogden. O lugar é tradicional da Irlanda; pequeno, mas confortável. Wendy’s uma opção diferente de fast-food. E descobri ontem o Fridays onde possui bebidas sensacionais. Provei uma tequila Patrón Rita’ Shaker; vinha na coqueteleira e eu mesma me servia: adorei! PS. Pouco movimento no restaurante o que torna difícil a subtração às escondidas de cardápios.

Por fim, a comida da Snowbasin é muito boa. O family meal é sempre bem caprichado. Tem dias que é panqueca com omelete que me arrasto de fome o dia todo. Mas já provei pasta ao molho pesto, sopa de batata com bacon, todos os tipos de sanduíches, diversas comidas mexicanas e chinesas. O almoço dos funcionários é preparado especialmente para nós. Já para os clientes existe pizza, sopas, sanduíches e comida chinesa. No John Paul, por ser mais requintado, tem massas especiais. O molho Alfredo é delícia. Mas o imbatível são as comidas preparadas para o Cinnabar. Trata-se de um bar dentro do lodge principal. No dia que sentamos lá, pedimos dois vinhos e ganhamos diversos pratos; inclusive um fondue de queijo maravilhoso. Sim, nossos contatos na cozinha são quentíssimos. A balança detesta. A fome e a gula se saúdam.

Festa de Carnaval

Pra não sair no prejuízo, organizamos nossa própria festa de carnaval aqui em Utah. Divulguei para todos que o traje deveria ser colorido, engraçado e característico. Alguns se empolgaram e fizeram parte da composição. O fundo musical foi funk e samba. Uma bandeira do Brasil ao fundo e várias pessoas reunidas. Eu fui de girafa, é claro. E senti-me realizada quando subi aos ombros do Iko – podia tocar o teto com a ponta dos dedos. Pega-te, pescoçuda!











Aquarium

Localizando numa cidade chamada Sandy existe esse centro de exposição. Na companhia do Veg tivemos nosso dia de turista e vasculhamos os museus da redondeza. Por U$9 vi diversos animais marinhos ou da selva. Amei de paixão. Você pode tocar nas raias e estrelas marinhas, sentir o choque do peixe elétrico e pode enfiar a cabeça na toca lontra marinha. Super dinâmico.

Lontra marinha.

Raia.

Além disso, vi tubarões, cavalos marinhos lindinhos e menores que a unha do meu polegar. Nas paredes havia diversos quadros explicativos, como, por exemplo, o nascimento dos filhotes e fotos do papai cavalo marinho carregando os filhotes na barriga. Estou certa, Gê?
Vi peixes de diversas cores e tamanhos. Vi cobras e animais da Amazônia. Vi piranhas (mas não vi os dentes).

















As águas marinhas ficavam dentro de um aquário muito bonito. A água era colorida através de luzes que transformavam o simples movimento aquático daqueles seres numa apresentação de dança repleta de cores e emoção. De verdade, era de segurar o ar.


O polvo precisa de escuridão, ou do contrário fica sensível e nada saudável, por isso no pictures do octupus. Sorry!

Mas o mais lindos, cute, perfeito foram os pinguins. AMEI os pinguins. São graciosos como sempre imaginei. São metidos iguais ao filme Madagascar. Exibidos e andam engraçado. Nadavam bem perto do vidro e pareciam saber que aguardávamos aquilo com muito entusiasmo. Apaixonei-me. Quero um pinguim no quintal de casa. Posso?


Pinguins!



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Curtas 2

Wedding nos EUA

Não casei. Antes que qualquer pessoa ache isso. Mas fui a um casamento. Roupa preta, gravata amarela, sapatilha. Não era convidada; apenas uma simples funcionária. Mas e daí?
A noiva era uma pessoa meio chata que estava pela quinta vez ao altar. Poucos convidados e um curtíssimo tempo de preparação. O casório foi no Needles, pois a noiva caprichosa queria seus convidados andando de gôndola na Estação de Esqui. Rico é outra coisa, né? Chatos. Subi correndo para o restaurante, puxa cadeira, mesas, toalhas, talheres, guardanapos. Tudo pronto a tempo, graças ao super atraso da noiva. Ela entrou, a cerimônia durou 5 minutos e os noivos se beijaram. Até parece que o casamento em si era o menos importante. Todos sentaram e o jantar foi servido. O melhor de tudo era o bolinho de salmão. O Lucas que o diga porque só ele comeu uns 9 após o buffet.

Logo após a comida servirmos o champagne que brindou o amor dos noivos – apenas um Veuve Clicquot que custa cerca de U$430 cada garrafa. Sobraram muitas taças que joguei fora em direção ao ralo da pia. Ai que dó. Mas a Louise provou, sem saber que era proibido!

Limpamos as mesas, organizamos a cozinha e a noiva disse que poderíamos cortar o bolo. A mestre de cerimônias deu início ao desafio. Eram três andares e cada um tinha uma cor; por fora uma cobertura branca além de diversas fitas e flores enfeitavam a massa de farinha. Detalhes em bisqui bem arquitetados e empilhados faziam toda a graça, mas é claro que foram quebrados para se poder cortar as fatias.
Eu, que estava na minha função de busser ouvi a noiva me chamar e perguntar: “Where’s my cake?” Pensei que era piada e disse o óbvio: “You asked Kim to CUT the cake for the guests, alright?” Ela arregalou os olhos e gritou comigo; as fotos do bolo ainda não haviam sido tiradas. Joguei a bandeja para o lado e corri em direção à cozinha. Já tinha visto os enfeites no lixo e os pedaços do bisqui na mesa. Sabia que a noiva não era fácil. E não foi. Ela começou a chorar e todas as damas a circundavam tentando acalmá-la. Na cozinha o James dizia: “Shit!” e outros palavrões que não aprendi. O pessoal fez o melhor que pode na reconstrução do bolo, que por questão de segundos ainda não havia sido perfurado. A noiva tirou a foto com a cara toda borrada. Eu não tive pena, queria mesmo era kick her out.

DEW TOUR – competições na neve

Pessoas de vários estados vieram para participar ou assistir. A Estação teve mais movimento do que no Natal e todos os lodges estavam funcionando. Repórteres, atletas, crianças, famílias e muitos jovens. Uma área enorme com várias barracas e distribuição de brindes. Barraca de cerveja, BBQ e muitas tips. Assim foi a Dew Tour em nossa rotina laboral. Entre os dias 09 a 12 de fevereiro, em sua terceira edição, o evento teve como maior patrocinador o Mountain Dew. Um refrigerante cítrico da Pepsi que teve uma pequena repercussão no Brasil em 2002 e por isso o produto foi adaptado em nosso país para a Pespi Twist. Aqui nos EUA até que é famoso. Lembra bastante o Schweppes. Mas os jovens americanos bebem puro.





A semana foi bem agitada e com pouco tempo de folga. Teve dia que fechei dois lodges diferentes e quase desmaiei de tanto cansaço. Em outro dia, trabalhei na barraca de cerveja com a Manuela e fizemos juntas quase 200 dólares de tips. Além de o trabalho ser diferente, comunicativo e dinâmico, a máquina de cerveja era muito legal. A cerveja era servida pela parte debaixo do copo. Era tudo automático e sem espuma. Dá pra crer nisso? Budweiser, seu lindo. Veja o vídeo e vê se entende! Todos os clientes perguntavam como funcionava aquilo e eu dizia: “This is magic!”.









No último dia do campeonato fiquei no Old Day Logde (restaurante que aparece no filme Frozen). Atendi apenas aos repórteres e atletas. Fazia café e ficava atrás do balcão sorrindo – os pratos, talheres, copos eram todos descartáveis; eles jogavam tudo no lixo e eu só tinha o trabalho de recolher a pilha de bandejas no final do expediente.  
O winner do campeonato foi um garoto de 16 anos. Boatos que ele levou para casa muito dinheiro. Queria essa vida fácil também, hein? Ah se eu fosse boa no Snowboard...




domingo, 26 de fevereiro de 2012

Curtas 1

Snowboard - a conclusão final

Todo mundo merece uma segunda chance, certo? Com os dedos cruzados fomos ao grupo de professores; queríamos encontrar uma pessoa bem paciente e sábia que pudesse resolver nosso problema: aprender a fazer snowboard de verdade. Subimos a montanha mais alta para almoçarmos. Saímos de lá com poucos minutos de antecedência e evidentemente chegamos atrasadas. Todos haviam ido embora, incluindo nosso instrutor. Um professor velhinho que estava andando perdido pelo prédio resolveu ser solidários e nos ajudar. No fim, descobri que seria o melhor professor da história da neve.
Com paciência ele nos assistiu caindo umas 34 vezes, mas ao contrário da primeira vez, nós tivemos lições da teoria das curvas – usando os toes and heels. Finalmente descobrimos a sensação de stop. Foi maravilhoso e produtivo.


Louise e Lucas.


Aula de Yoga 

Um americano convidou a gente para fazer uma aula de Yoga. Eu, Gabe e Lucas topamos o convite. Mas tem um detalhe: a sala de treinamento é numa sauna de 40°C. Olhamos bem um para a cara do outro e decidimos encarar o desafio. Já que estamos aqui queremos conhecer de tudo um pouco. Coloquei minha roupa de ginástica até então jamais usada e saímos para o Grounds for Coffee - além de cafeteria sustentável o local abriga uma academia de Yoga. É muito estilo concentrado, né, Hella!?

Na entrada já notamos algo estranho. Todos os alunos possuíam mattress, towel e water. O nosso amigo Jan tinha 1 galão de H2O. Alugamos os materiais, compramos a água. Melhor seguir as tendências do que passar vergonha. Ao entrar na sala já senti aquele bafo quente e ausência de oxigênio que deveria haver nas minhas narinas. Senti também a ausência de roupas nas pessoas; sim, eles vestiam apenas cuecas, shorts e tops. Será que seria tão caliente assim nossa aula?

Deitamos e eu só conseguia pensar como sobreviver 90 minutos naquela sala. O professor magrelo veio com seu microfone, colocou-se de costas para o espelho e começou a aula. Antes chamou nossa atenção: chega de conversa, o papo fica porta pra fora. Okay, let’s go!

A proposta da mistura de Yoga com sauna é relaxar os músculos e liberar as toxinas do corpo. Além de emagrecer, claro. Arms to the side, respiração profunda e contagem. Os exercícios eram muito repetitivos, cansava-me e olhava para o lado. Todos estavam muito concentrados e sérios. Às vezes ficava na dúvida do que o professor havia dito (afinal, tudo era em ingles, num linguajar bem coloquial e cantado), olhava para meus colegas brasileiros e tudo que recebia eram olhares de dúvida em retribuição aos meus. Copiava a senhora do meu lado. Uma hora percebi que somente eu e ela estávamos sentadas enquanto os outros estavam de cócoras. Mandei mal de querer usar de base uma pessoa que não possui tanta flexibilidade, eu sei. Passei a copiar tudo que a menina flexível da frente fazia. Funcionou. Relax on your back era um exercício delicioso que consistia em deitar e fechar os olhos. Mas isso só durava 15 segundos. Posição pra lá, cá, ficar numa perna só, apoiar nos dedos do pé. Eis que ele me diz: hold forever. Ah, tá!? Só gargalhei. Take a deep breath e vamos fazer tudo de novo. Primeiro right, depois left. Os 90 minutos custaram para passar, mas sabe que até que gostei? A aula me parecia muito com o alongamento que fazia no circo, e por isso tive certa facilidade. No final da aula o professor me olhou e confirmou o que meu rosto não podia esconder: adorei a experiência.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Surprise Party - meus 22 anos na América

Dia 16 de fevereiro: trabalhei num evento até às 22h. Sendo assim, às 19h aqui de Utah já era meia-noite no Brasil. Recebi abraços e apertos na cozinha em meio do corre corre das bandejas. Tive um dos melhores jantares da minha vida. Salmão, espetinhos de alcachofra com azeitona, batata gratinada e arroz (adoro). Cheguei em casa querendo chorar de tanto cansaço, mas faltam poucas horas para o verdadeiro aniversário. Na meia noite do dia 16 pro 17 houve uma surpresa armada pela Angela, Ivy e Carlo. Um bolo chamado de red velvet coberto com um doce branco maravilhoso e mais 22 velinhas coloridas. Achei o máximo, quase chorei. Estava tão feliz, acordei todo mundo e pedi abraços. Agora era pra valer: estava mais velha e muito mais feliz.    




Passei o dia todo recebendo abraços, felicitações, mas foi um dia normal de trabalho. Estava na área externa vendendo cervejas. É um trabalho engraçado e divertido, você pode conversar o dia todo com os clientes e fazer graça. Eu sempre digo que as senhoras parecem mocinhas de 22 anos e por isso quero ver a ID delas. Na verdade mesmo, meu chefe me deu orientações de pedir a ID de todos, independente dos fios brancos. Aqui em Utah as leis são severas e diretas. Todas as cervejas são 3.2% de álcool (o estado obriga essa dosagem, nos outros estados pode ser maior), só se pode vender 2 cervejas por pessoa por vez e a maioridade aqui é 21 anos. Todas as regras acima, sem exceções são minha nova rotina. As pessoas me perguntavam se eu poderia estar ali vendendo cerveja e eu dizia: Tá zoando? Estou completando 22 anos hoje mesmo! E o jarro de tips se enchia!

No final do dia a Gabe e a Louise me presentearam com um jantar num restaurante grego. A comida era diferente e o vinho delicioso. Teve até sobremesa e saí de lá rolando. Aí eu implorei para elas para passarmos no Beatles Bar. Meu lugar favorito para um brinde. Elas reclamaram e disseram que queriam dormir, estavam cansadas. Resmunguei e disse que era questão de 10 minutinhos, um shot, um brinde de aniversário e poderíamos ir para casa. Tá bão, Letícia. Entramos e eis que tive outra surpresa maior ainda: todos os nossos amigos americanos, argentinos, peruanos, filipinos, coreanos e australianos reunidos numa mesa enorme. 









































E as surpresas não paravam de vir. No bolo um desenho de girafa. Amei. Colocaram no meu casaco um botton de Birthday Bitch. Engraçado. No pescoço um copinho de shot com bolinhas cor-de-rosa. Gracioso. Na cara uma máscara de girafa. As velinhas de happy bday haviam sido alteradas para uma piada interna. Quem me conhece bem sabe que sempre engulo a última letra de cada palavra. Enfim, tudo foi perfeitamente tramado e eu não me cabia de felicidade. Abraços, beijos, apertos e fotos. Mudamos o bar para um outro lugar com música e dançamos até tarde. Divertido? Meu Deus, foi maravilhoso! O melhor aniversário da minha vida!