domingo, 4 de março de 2012

Curtas 3

Culinária

Quem me conhece sabe que um dos meus maiores prazeres é comer. Sei que estou infringindo um dos pecados capitais, mas é divino degustar novos sabores. Não encaro isso como um erro, sim como um talento. Aprendi com o Verissimo a encarar os itens da mesa dessa maneira.

Sempre que saímos para jantar eu peço por novidades. Sou adepta a tudo e sem nenhuma frescura.  O Panda Express é um fast-food chinês barato e gostoso. Além do custo-benefício ser excelente. O prato é enorme e você pode comer 1 entrada com 2 acompanhamentos. O camarão com molho de laranja é espetacular. Não recomendo o arroz com legumes porque fica muito seco (dentro daquele recipiente aquecido o dia todo). Peça água para beber e seu recibo será de 7 dólares. Já o Taco Bells é uma dica para quem quer economizar. Pedi um combo de burrito + chips + refrigerante e paguei U$3,47. Claro que não chega nem perto do Mc Donalds que possui o menu 1 dólar. Dá pra se alimentar de sanduíche McDuplo e batata pequena com 2 dólares.

Um restaurante que se tornou segundo lar para mim foi o Applebees. Além de barato o lugar é muito aconchegante. Já provamos diversos pratos e entradas. A Gabe é apaixonada pelo molho de espinafre. Eu sou louca por qualquer coisa que envolva carne. Existe uma promoção no almoço onde você pede uma entrada e dois pratos por U$20. Pedimos até sobremesa depois de descobrir a conta: cookie de chocolate com sorvete.

Aqui tem diversas churrascarias, mas todas caras. Em SLC descobrimos um Brazilian Grill chamado Tucanos onde por U$14 você é livre para degustar todas as carnes e Buffet. Tem até comida japonesa. Mas é claro que o que nos interessava mesmo era o arroz, feijão, farofa com gordas fatias de picanha. Falta sal em tudo e juro que não é exagero meu. O mais engraçado de lá é como eles cantam “Parabéns” aos aniversariantes. Num ritmo desenfreado que jamais vi em qualquer canto do nosso país (ao fundo de um pandeiro muito descoordenado). Mas a rádio era boa e ficamos felizes em ouvir Renato Russo durante a alimentação. Em Vegas tentamos o Pampas que era outro Brazilian Grill. Nesse nos decepcionamos porque além de ser mais caro (U$20) o único tipo de carne era picanha. A gente adora, mas tem que ter variedade. No Tucanos tinha todos os tipos – inclusive coração de galinha.

Seguindo as orientações da minha querida amiga Giu fomos no Olive Garden. Um restaurante italiano bem refinado. Pedimos vinho seguido por entrada, prato principal e sobremesa. O custo foi um pouco elevado (U$31), mas pensando que eu ganho em dólares até que vale a pena.

Roosters é uma cervejaria que funciona como bar e restaurante. Eles produzem uma cerveja bem popular em Utah chamada Honey Wheat. O bar é decorado com galos (óbvio) e com excelente cardápio (degustativo, não de celulose). O custo é razoável. Já visitamos várias vezes porque é do lado de casa.

O Iggys é um sport bar cheio de televisões e artigos esportivos. Tem o menu U$10 onde você pede uma salada ou sopa, prato principal e sobremesa. Já perceberam como todos os restaurantes possuem a tradição da entrada (sopa ou salada)? Sopa até faz bastante sentido, porque aqui é bem frio. Outra coisa é que em qualquer bar ou restaurante que você vá eles servem água sem nem perguntar. E eles sempre repõem quando percebem que o copo está esvaziando. É free e faz um bem danado aqui nas altas altitudes.

Já escrevi sobre o Simply Sushi em Salt Lake City. Por 20 dólares você pega a opção All you can eat e come tudo que puder. O Athenes é aquele restaurante grego que fomos no meu aniversário. A melhor parte foi o vinho com carne de carneiro. O MacCools foi um dos primeiros restaurantes que visitamos aqui em Ogden. O lugar é tradicional da Irlanda; pequeno, mas confortável. Wendy’s uma opção diferente de fast-food. E descobri ontem o Fridays onde possui bebidas sensacionais. Provei uma tequila Patrón Rita’ Shaker; vinha na coqueteleira e eu mesma me servia: adorei! PS. Pouco movimento no restaurante o que torna difícil a subtração às escondidas de cardápios.

Por fim, a comida da Snowbasin é muito boa. O family meal é sempre bem caprichado. Tem dias que é panqueca com omelete que me arrasto de fome o dia todo. Mas já provei pasta ao molho pesto, sopa de batata com bacon, todos os tipos de sanduíches, diversas comidas mexicanas e chinesas. O almoço dos funcionários é preparado especialmente para nós. Já para os clientes existe pizza, sopas, sanduíches e comida chinesa. No John Paul, por ser mais requintado, tem massas especiais. O molho Alfredo é delícia. Mas o imbatível são as comidas preparadas para o Cinnabar. Trata-se de um bar dentro do lodge principal. No dia que sentamos lá, pedimos dois vinhos e ganhamos diversos pratos; inclusive um fondue de queijo maravilhoso. Sim, nossos contatos na cozinha são quentíssimos. A balança detesta. A fome e a gula se saúdam.

Festa de Carnaval

Pra não sair no prejuízo, organizamos nossa própria festa de carnaval aqui em Utah. Divulguei para todos que o traje deveria ser colorido, engraçado e característico. Alguns se empolgaram e fizeram parte da composição. O fundo musical foi funk e samba. Uma bandeira do Brasil ao fundo e várias pessoas reunidas. Eu fui de girafa, é claro. E senti-me realizada quando subi aos ombros do Iko – podia tocar o teto com a ponta dos dedos. Pega-te, pescoçuda!











Aquarium

Localizando numa cidade chamada Sandy existe esse centro de exposição. Na companhia do Veg tivemos nosso dia de turista e vasculhamos os museus da redondeza. Por U$9 vi diversos animais marinhos ou da selva. Amei de paixão. Você pode tocar nas raias e estrelas marinhas, sentir o choque do peixe elétrico e pode enfiar a cabeça na toca lontra marinha. Super dinâmico.

Lontra marinha.

Raia.

Além disso, vi tubarões, cavalos marinhos lindinhos e menores que a unha do meu polegar. Nas paredes havia diversos quadros explicativos, como, por exemplo, o nascimento dos filhotes e fotos do papai cavalo marinho carregando os filhotes na barriga. Estou certa, Gê?
Vi peixes de diversas cores e tamanhos. Vi cobras e animais da Amazônia. Vi piranhas (mas não vi os dentes).

















As águas marinhas ficavam dentro de um aquário muito bonito. A água era colorida através de luzes que transformavam o simples movimento aquático daqueles seres numa apresentação de dança repleta de cores e emoção. De verdade, era de segurar o ar.


O polvo precisa de escuridão, ou do contrário fica sensível e nada saudável, por isso no pictures do octupus. Sorry!

Mas o mais lindos, cute, perfeito foram os pinguins. AMEI os pinguins. São graciosos como sempre imaginei. São metidos iguais ao filme Madagascar. Exibidos e andam engraçado. Nadavam bem perto do vidro e pareciam saber que aguardávamos aquilo com muito entusiasmo. Apaixonei-me. Quero um pinguim no quintal de casa. Posso?


Pinguins!



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Curtas 2

Wedding nos EUA

Não casei. Antes que qualquer pessoa ache isso. Mas fui a um casamento. Roupa preta, gravata amarela, sapatilha. Não era convidada; apenas uma simples funcionária. Mas e daí?
A noiva era uma pessoa meio chata que estava pela quinta vez ao altar. Poucos convidados e um curtíssimo tempo de preparação. O casório foi no Needles, pois a noiva caprichosa queria seus convidados andando de gôndola na Estação de Esqui. Rico é outra coisa, né? Chatos. Subi correndo para o restaurante, puxa cadeira, mesas, toalhas, talheres, guardanapos. Tudo pronto a tempo, graças ao super atraso da noiva. Ela entrou, a cerimônia durou 5 minutos e os noivos se beijaram. Até parece que o casamento em si era o menos importante. Todos sentaram e o jantar foi servido. O melhor de tudo era o bolinho de salmão. O Lucas que o diga porque só ele comeu uns 9 após o buffet.

Logo após a comida servirmos o champagne que brindou o amor dos noivos – apenas um Veuve Clicquot que custa cerca de U$430 cada garrafa. Sobraram muitas taças que joguei fora em direção ao ralo da pia. Ai que dó. Mas a Louise provou, sem saber que era proibido!

Limpamos as mesas, organizamos a cozinha e a noiva disse que poderíamos cortar o bolo. A mestre de cerimônias deu início ao desafio. Eram três andares e cada um tinha uma cor; por fora uma cobertura branca além de diversas fitas e flores enfeitavam a massa de farinha. Detalhes em bisqui bem arquitetados e empilhados faziam toda a graça, mas é claro que foram quebrados para se poder cortar as fatias.
Eu, que estava na minha função de busser ouvi a noiva me chamar e perguntar: “Where’s my cake?” Pensei que era piada e disse o óbvio: “You asked Kim to CUT the cake for the guests, alright?” Ela arregalou os olhos e gritou comigo; as fotos do bolo ainda não haviam sido tiradas. Joguei a bandeja para o lado e corri em direção à cozinha. Já tinha visto os enfeites no lixo e os pedaços do bisqui na mesa. Sabia que a noiva não era fácil. E não foi. Ela começou a chorar e todas as damas a circundavam tentando acalmá-la. Na cozinha o James dizia: “Shit!” e outros palavrões que não aprendi. O pessoal fez o melhor que pode na reconstrução do bolo, que por questão de segundos ainda não havia sido perfurado. A noiva tirou a foto com a cara toda borrada. Eu não tive pena, queria mesmo era kick her out.

DEW TOUR – competições na neve

Pessoas de vários estados vieram para participar ou assistir. A Estação teve mais movimento do que no Natal e todos os lodges estavam funcionando. Repórteres, atletas, crianças, famílias e muitos jovens. Uma área enorme com várias barracas e distribuição de brindes. Barraca de cerveja, BBQ e muitas tips. Assim foi a Dew Tour em nossa rotina laboral. Entre os dias 09 a 12 de fevereiro, em sua terceira edição, o evento teve como maior patrocinador o Mountain Dew. Um refrigerante cítrico da Pepsi que teve uma pequena repercussão no Brasil em 2002 e por isso o produto foi adaptado em nosso país para a Pespi Twist. Aqui nos EUA até que é famoso. Lembra bastante o Schweppes. Mas os jovens americanos bebem puro.





A semana foi bem agitada e com pouco tempo de folga. Teve dia que fechei dois lodges diferentes e quase desmaiei de tanto cansaço. Em outro dia, trabalhei na barraca de cerveja com a Manuela e fizemos juntas quase 200 dólares de tips. Além de o trabalho ser diferente, comunicativo e dinâmico, a máquina de cerveja era muito legal. A cerveja era servida pela parte debaixo do copo. Era tudo automático e sem espuma. Dá pra crer nisso? Budweiser, seu lindo. Veja o vídeo e vê se entende! Todos os clientes perguntavam como funcionava aquilo e eu dizia: “This is magic!”.









No último dia do campeonato fiquei no Old Day Logde (restaurante que aparece no filme Frozen). Atendi apenas aos repórteres e atletas. Fazia café e ficava atrás do balcão sorrindo – os pratos, talheres, copos eram todos descartáveis; eles jogavam tudo no lixo e eu só tinha o trabalho de recolher a pilha de bandejas no final do expediente.  
O winner do campeonato foi um garoto de 16 anos. Boatos que ele levou para casa muito dinheiro. Queria essa vida fácil também, hein? Ah se eu fosse boa no Snowboard...




domingo, 26 de fevereiro de 2012

Curtas 1

Snowboard - a conclusão final

Todo mundo merece uma segunda chance, certo? Com os dedos cruzados fomos ao grupo de professores; queríamos encontrar uma pessoa bem paciente e sábia que pudesse resolver nosso problema: aprender a fazer snowboard de verdade. Subimos a montanha mais alta para almoçarmos. Saímos de lá com poucos minutos de antecedência e evidentemente chegamos atrasadas. Todos haviam ido embora, incluindo nosso instrutor. Um professor velhinho que estava andando perdido pelo prédio resolveu ser solidários e nos ajudar. No fim, descobri que seria o melhor professor da história da neve.
Com paciência ele nos assistiu caindo umas 34 vezes, mas ao contrário da primeira vez, nós tivemos lições da teoria das curvas – usando os toes and heels. Finalmente descobrimos a sensação de stop. Foi maravilhoso e produtivo.


Louise e Lucas.


Aula de Yoga 

Um americano convidou a gente para fazer uma aula de Yoga. Eu, Gabe e Lucas topamos o convite. Mas tem um detalhe: a sala de treinamento é numa sauna de 40°C. Olhamos bem um para a cara do outro e decidimos encarar o desafio. Já que estamos aqui queremos conhecer de tudo um pouco. Coloquei minha roupa de ginástica até então jamais usada e saímos para o Grounds for Coffee - além de cafeteria sustentável o local abriga uma academia de Yoga. É muito estilo concentrado, né, Hella!?

Na entrada já notamos algo estranho. Todos os alunos possuíam mattress, towel e water. O nosso amigo Jan tinha 1 galão de H2O. Alugamos os materiais, compramos a água. Melhor seguir as tendências do que passar vergonha. Ao entrar na sala já senti aquele bafo quente e ausência de oxigênio que deveria haver nas minhas narinas. Senti também a ausência de roupas nas pessoas; sim, eles vestiam apenas cuecas, shorts e tops. Será que seria tão caliente assim nossa aula?

Deitamos e eu só conseguia pensar como sobreviver 90 minutos naquela sala. O professor magrelo veio com seu microfone, colocou-se de costas para o espelho e começou a aula. Antes chamou nossa atenção: chega de conversa, o papo fica porta pra fora. Okay, let’s go!

A proposta da mistura de Yoga com sauna é relaxar os músculos e liberar as toxinas do corpo. Além de emagrecer, claro. Arms to the side, respiração profunda e contagem. Os exercícios eram muito repetitivos, cansava-me e olhava para o lado. Todos estavam muito concentrados e sérios. Às vezes ficava na dúvida do que o professor havia dito (afinal, tudo era em ingles, num linguajar bem coloquial e cantado), olhava para meus colegas brasileiros e tudo que recebia eram olhares de dúvida em retribuição aos meus. Copiava a senhora do meu lado. Uma hora percebi que somente eu e ela estávamos sentadas enquanto os outros estavam de cócoras. Mandei mal de querer usar de base uma pessoa que não possui tanta flexibilidade, eu sei. Passei a copiar tudo que a menina flexível da frente fazia. Funcionou. Relax on your back era um exercício delicioso que consistia em deitar e fechar os olhos. Mas isso só durava 15 segundos. Posição pra lá, cá, ficar numa perna só, apoiar nos dedos do pé. Eis que ele me diz: hold forever. Ah, tá!? Só gargalhei. Take a deep breath e vamos fazer tudo de novo. Primeiro right, depois left. Os 90 minutos custaram para passar, mas sabe que até que gostei? A aula me parecia muito com o alongamento que fazia no circo, e por isso tive certa facilidade. No final da aula o professor me olhou e confirmou o que meu rosto não podia esconder: adorei a experiência.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Surprise Party - meus 22 anos na América

Dia 16 de fevereiro: trabalhei num evento até às 22h. Sendo assim, às 19h aqui de Utah já era meia-noite no Brasil. Recebi abraços e apertos na cozinha em meio do corre corre das bandejas. Tive um dos melhores jantares da minha vida. Salmão, espetinhos de alcachofra com azeitona, batata gratinada e arroz (adoro). Cheguei em casa querendo chorar de tanto cansaço, mas faltam poucas horas para o verdadeiro aniversário. Na meia noite do dia 16 pro 17 houve uma surpresa armada pela Angela, Ivy e Carlo. Um bolo chamado de red velvet coberto com um doce branco maravilhoso e mais 22 velinhas coloridas. Achei o máximo, quase chorei. Estava tão feliz, acordei todo mundo e pedi abraços. Agora era pra valer: estava mais velha e muito mais feliz.    




Passei o dia todo recebendo abraços, felicitações, mas foi um dia normal de trabalho. Estava na área externa vendendo cervejas. É um trabalho engraçado e divertido, você pode conversar o dia todo com os clientes e fazer graça. Eu sempre digo que as senhoras parecem mocinhas de 22 anos e por isso quero ver a ID delas. Na verdade mesmo, meu chefe me deu orientações de pedir a ID de todos, independente dos fios brancos. Aqui em Utah as leis são severas e diretas. Todas as cervejas são 3.2% de álcool (o estado obriga essa dosagem, nos outros estados pode ser maior), só se pode vender 2 cervejas por pessoa por vez e a maioridade aqui é 21 anos. Todas as regras acima, sem exceções são minha nova rotina. As pessoas me perguntavam se eu poderia estar ali vendendo cerveja e eu dizia: Tá zoando? Estou completando 22 anos hoje mesmo! E o jarro de tips se enchia!

No final do dia a Gabe e a Louise me presentearam com um jantar num restaurante grego. A comida era diferente e o vinho delicioso. Teve até sobremesa e saí de lá rolando. Aí eu implorei para elas para passarmos no Beatles Bar. Meu lugar favorito para um brinde. Elas reclamaram e disseram que queriam dormir, estavam cansadas. Resmunguei e disse que era questão de 10 minutinhos, um shot, um brinde de aniversário e poderíamos ir para casa. Tá bão, Letícia. Entramos e eis que tive outra surpresa maior ainda: todos os nossos amigos americanos, argentinos, peruanos, filipinos, coreanos e australianos reunidos numa mesa enorme. 









































E as surpresas não paravam de vir. No bolo um desenho de girafa. Amei. Colocaram no meu casaco um botton de Birthday Bitch. Engraçado. No pescoço um copinho de shot com bolinhas cor-de-rosa. Gracioso. Na cara uma máscara de girafa. As velinhas de happy bday haviam sido alteradas para uma piada interna. Quem me conhece bem sabe que sempre engulo a última letra de cada palavra. Enfim, tudo foi perfeitamente tramado e eu não me cabia de felicidade. Abraços, beijos, apertos e fotos. Mudamos o bar para um outro lugar com música e dançamos até tarde. Divertido? Meu Deus, foi maravilhoso! O melhor aniversário da minha vida!


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Capítulo final de Las Vegas - Cirque du Soleil e a volta por Arizona

Saí em direção ao meu compromisso com o Cirque Du Soleil com os passos apressados e uma sensação estranha no peito. Estava prestes a realizar um sonho. Parece bobeira e coisa fútil, mas misturar circo com Beatles é uma ideia brilhante e que merece um Nobel, na minha opinião.


No corredor do Hotel The Mirage tinha vontade de gritar pra todo mundo: “Eu vou e você não”. Mas percebi que muitos dos turistas ali presentes tinham o mesmo objetivo que o meu. Na entrada havia tanta gente que mal conseguia fotografar os cenários sem um cabeção na minha frente. Os staffs estavam a caráter. O bar possuía comida e bebida temática. A infraestrutura do teatro é absurda e fixa. Não consigo crer até agora no investimento que o Cirque du Soleil faz para manter todos os espetáculos permanentes em Vegas. Se bem que fica fácil acreditar ao reler o recibo. Todas as peças lotam, apesar do preço extremamente alto. Havia uma loja dos Beatles que deixei para o final. Não é caro, mas é tentador. Tem de tudo. Camiseta, botton, caneca, adesivo, chaveiro, cds, lps, canecas, enfeites, carteiras, bolsas, casacos, agenda, cadernos, porta-bijuteria, submarinos de miniatura... Como o capitalismo é forte nesse país e como as pessoas são espertas em se aproveitar disso. Burra sou eu que gastei 50 dólares, mas sem regrets. Afinal, tudo era um sonho e precisava levar comigo algo que me fizesse crer na certeza de que aquilo era, sim, a minha realidade.





Entrei e sentei na minha adorável cadeira com meu gracioso copo de 700ml dos Beatles. Paguei U$123,50 pela melhor cadeira que encontrei. Apenas 4 filas na minha frente e numa posição bem centralizada. Era como se os atores estivessem se apresentando diretamente para mim.

O palco era num formato de X e é claro que isso não permaneceu até o fim. Cenários subiam ou desciam e compunham o contexto com muita veracidade. Armações e suportes que vinham do teto, atores que surgiam pulando, voando, correndo, dançando. A expressão corporal e flexibilidade desses artistas é de fazer inveja em qualquer Ana Botafogo.
Entrou o frequente personagem gordinho e careca. Fez as devidas recomendações. Câmeras e celular são expressamente proibidos. E o público respeitou isso do começo ao fim.

A abertura foi com o palco em X e quatro telões enormes que pendiam do teto até tocar o chão. Era na verdade um tecido bem fino e branco que retransmitia as imagens do projetor. Começou “Girl” e os olhos já brilharam. Havia mais duas telas fixas que decoravam o fundo de cada música e apresentação. Nas quatro aberturas do X havia um bailarino, escalando a corda. Em certo ponto eles pararam e fizeram o passo que no circo chamamos de "à grega". Soltaram um pouco a corta e caíram em queda livre por alguns metros. Fecharam as pernas e a corda novamente se prendeu entre os membros inferiores, garantindo a segurança e o suspiro do público.  

Apareceram os quatro beatles, ("Get back") cada qual num tecido; um estampido forte ecoou enquanto uma luz azul rompia a escuridão. Os panos caíram e os olhos brilharam. O show começou e as primeiras lágrimas rolaram.  

O cenário escureceu, uma fábrica quebrada com um relógio destruído. Naquela época, o tempo se arrastava e os ponteiros não se mexiam. Era muita confusão ("Helter Skelter"). A Segunda Guerra Mundial foi o maior retardo na história da humanidade e para alguns, a explosão beatlemaniaca salvou a monotonia da vida de alguns jovens ("I want to hold your hand"). Consagrava-se assim o início dos Beatles em 1950 (cinco anos após o fim da Guerra).   

Os shows eram animados, muitas cores, muitas garotas. Homens apaixonados caminhavam com flores. Garotas balançavam nas cordas, num vai e vem dos elásticos. 

Eis que duas pistas bem altas permitiam o impulso e a conquista de grandes saltos através dos patins. Eram 4 atores, cada qual inspirado em seu personagem. Help inspirou-os a mostrar-nos todo o talento que eles possuíam. Aclamados com aplausos e prendendo o fôlego, captei cada acrobacia. 

No meio, era um vai e vem de cores e luzes que extasiavam a mente. Vídeos engraçadinhos e brincadeiras entre os quatro músicos. Havia uma pitadas de Nonsense que me lembrava Alice em seu país. Num jogo de luzes, vi a Abbey Road e vários sons misturados. 

O melhor de tudo foi a mudança de mundos ou ambientes; e de maneira tão profunda. Num mergulho enxerguei o oceano. Um tecido branco bem fino que do meio do palco surgiu, cresceu e foi cobrindo a platéia. Um vento balançava e criava ondas onde o Yellow Submarine navegava. Animais do fundo do mar foram detalhadamente representados no Octupus's Garden com diversos animais brilhantes e flutuantes. Balança a cabeça e deixava as mãos cobrindo a boca. Estava sozinha, mas ao mesmo tempo senti-me extremamente acolhida. Ao meu lado, um senhor de 60 anos batia os pés no chão ao ritmo da música. Tantos anos entre nós e aposto que mesmo assim saberíamos descrever com as mesmas expressões aquele show. 

Bolhas de sabão e eis que chega o dia. Here comes the sun, bem amarelo, com velas no chão. Parecia queimar a pele de tão forte que eram suas cores. De repente tudo escuro, pontos cintilantes que pareciam diamantes para a Lucy in the Sky.

Já havia passado 80 minutos e nada das minhas prediletas músicas. Eis que presencio o melhor fechamento que poderia imaginar. Tirei as costas da cadeira e aproximei o rosto alguns centímetros. Hey Jude acalentou um menino bem pequeno sentado numa cama, enquanto uma dama de vermelho pairava no ar suspensa por uma corda. Vários personagens com figurinos cheios de minúsculos detalhes iam entrando. Os guarda-chuvas ajudavam os confetes que choviam a enfeitar ainda mais aquela cena. Foi a música mais colorida, se é que assim posso abusar da sinestesia. 


E por fim, minha maior alegria. 

Sempre fui muito sistemática e racional. Sempre quis uma explicação para qualquer acontecimento, fosse ele físico, emocional ou divino. Por mais clichê que pareça, quando falo a palavra amor, muitos se cansam sem nem sequer pensar direito - pelo seu sentido usual e abusivo, atrelado ao vermelho, aos casais e dia dos namorados. O amor, para mim, vai muito além disso. O amor, quanto adicionado ao dia-a-dia, quando temperado no seu trabalho e acrescido no seu café da manhã muda completamente a cor e a beleza dos dias. O amor, quando encarado de maneira positiva e cultivado em diversos relacionamentos, fortalece o que aprendemos desde pequenos e poucas são as vezes que soubemos aplicar. O amor, não apenas o romance em si, mas o amor na vida e em tudo que você faz possibilita viver essa existência com um quê de sabedoria. E é por isso que essa música se tornou tão especial para mim. Um dia, lendo as letras a procura de uma frase bonita para um cartão, não conseguia decidir e optei pela música por completo. Para representar isso em poucas palavras usei do título (e da metonímia) pela poesia na íntegra.  E aquilo de simples música tornou-se lema. De simples melodia, estímulo. De simples palavras, uma direção. A tradução daquela ideia é perfeitamente o que sempre quis explicar, mas nunca encontrei as palavras certas. Alguém fez isso por mim, muito antes de eu nascer. Para mim, não existe impossível. Não existe nada difícil. As pessoas riem e debocham.  E eu respondo: é fácil. Acham um absurdo. Chamam-me de absurdo.  Dizem que não sabem como fazer. E eu digo: você ainda pode aprender com o tempo. Porque não há nada que você queira, que não possa ser feito. Queira salvar, que não possa ser salvo. Qualquer desafio, sofrimento, dúvida, desapego ou medo pode e deve ser superado. Com amor, pois é tudo que você precisa. 
  
Houve muitas outras músicas, mas se eu continuar descrevendo vou estragar a imaginação de vocês. Se um dia você assistir a tudo isso, espero que desfrute da mesma maneira que eu saí de lá: completamente feliz e realizada. 

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Na viagem de volta o sol nos permitiu algumas fotografias bonitas. Eis uma lista de recomendações e conclusões que tiramos ao final da viagem. Mesclado com muitas fotos, claro. 

  1. Não dirija em Vegas, vá sempre a pé. A paisagem merece a tranquilidade dos passos e as fotos agradecem;
  2. Carregue seus documentos nos bolsos e cada um o seu; a amizade é linda, mas ninguém precisa andar colado. Se um quer ir para a direita e o outro para esquerda é importante cada qual possuir seus pertences aonde quer que vá;
  3. Desista dos cassinos, eles só roubam seu dinheiro;
  4. Consiga convites VIPs ou telefones de promoters para entrar nas festas sem pagar. Na primeira hora da balada as meninas bebem de graça;
  5. Coma bem no almoço e na janta algo bem leve; normalmente você bebe mais de noite e não vai querer passar mal;
  6. Quando estiver fazendo um boletim de ocorrência na Polícia insista para seus amigos ficarem no carro; risos e conversas altas não são bem vistas aqui nos EUA;
  7. Ao acordarem, não tomem banho: isso rouba duas horas do seu dia, pois o grupo é grande e sempre tem um Lucas que demora mais tempo que os demais;
  8. Para as mulheres é fácil se arrumar de noite: um vestido bonito, muita maquiagem, salto alto na bolsa e sapatilhas no pé. Sim, sempre caminhe com algo confortável;
  9. Para os homens, não esqueçam dos sapatos sociais e camisas coloridas;
  10. Leve um dinheiro extra, mas saiba que Vegas não é tão cara assim. Tem boas promoções nos hotéis e o aluguel de carro compensa muito. Num geral, com 200 dólares dá pra passar bem 3 dias. Eu gastei isso e mais um adicional de 330 devido aos Beatles, aos alargadores lindos que achei e porque não sei me controlar diante das compras. 












Valentine's Day (inspirado em La Liste, Rose)

No clima romântico desse país, uma crônica fictícia da mais pura realidade. 
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Mais uma vez o cheiro amargo e preto do café entrava pelas narinas querendo fazer daquela situação uma referência à rotina. Mas a palavra menos usual na vida deles era essa. Acordavam atrasados e com as roupas jogadas ao lado; vestígios de uma noite inspirada. Dentro de duas canecas fundas com alguns pares de colheres rasas cheias de açúcar o dia começava com um sabor mais doce; e o dia amanhecia para todos. O sol ascendia e aquecia os que caminhavam na calçada. O vento circundava as avenidas e entrava pelas janelas entreabertas dos carros. O amor estava no ar. Parecia mais um dia normal, mas não. As pessoas nem desconfiavam que, ali confinados no segundo andar daquela casa, acabava de acordar o casal mais apaixonado do mundo. 

Ela vestia as roupas justas e maquiava o rosto amassado pelo travesseiro, enquanto ele lia as notícias no jornal monocromático. Ela corria contra o tempo com medo das consequências do atraso; com que ele já estava acostumado. Ela ria e lembrava da noite anterior - com palavras soltas remontava o filme, o vinho tinto, o molho branco (com noz moscada) e a consistência do penne. Ele agradecia e fazia juras que na próxima vez iria cozinhar. O amor entre eles era forte e crescia numa escala incalculável. Por várias vezes tentaram montar e descobrir essa fórmula, mas que se danem os alquimistas: o resultado era concreto (e isso é o que importava na vida deles). 

Seguindo as tendências da humanidade (quando os fatos são não-compreensíveis) aceitavam que aquilo era divino. E se os anjos assim queriam, eles estavam dispostos a viver naquela felicidade à qual foram condenados. Saíam porta afora. Ele com as chaves, ela com as bolsas. Ambos com carteiras de motorista, apenas um deles confiante na condução. Havia muitas piadas, memórias e até um pneu furado no porta-malas. As experiências deles dois juntos foram extraordinárias. Inúmeras e todas elas risonhas. Mas aquilo não era nada; ainda aguardavam muitas outras que estavam por vir. Sempre com um lado otimista, não deixavam nenhuma nuvem criar tempo ruim naquele cenário amoroso. A percepção deles mudava as cores e adicionava brilho ao contraste daquelas imagens. Quem via de fora achava tão normal, quem estava dentro tinha muito mais para concluir.

No caminho do trabalho ela fazia planos de comprar um cachorro, colocar cores na parede e listava o nome da primeira filha. Ela sonhava alto, imaginava muito, queria toda a felicidade. Tinha o sonho de um dia saber tocar violão enquanto pensava em fazer compras do mercado depois do trabalho (e ainda queria sair para dançar de noite). Ele olhava tudo aquilo meio abismado, apaixonado. Seria verdade toda essa paixão? Até quando seria assim? O tempo caminhava de maneira tranquila entre eles. Passavam dias como se fossem anos, isso porque o amor se fortalecia a cada segundo. Cada gesto impressionava, cada palavra agradava. Mais. O que um dia fora admiração hoje era realidade. Estava ali a(o) musa, estava ali o melhor exemplo de todos os tempos. Estava ali a amizade, estava ali o amor perfeito.

O que ele não sabia era que ela era mentora de tudo aquilo. Ela havia arquitetado a vida toda aquela relação. Não propositalmente, mas inconscientemente. Havia idealizado todos aqueles jantares e havia memorizado todas as palavra doces que um dia gostaria de sussurrar. Ela havia guardado as melhores ideias para um dia apresentar ao verdadeiro amor. Ela sonhava todas as noites e mentalizava durante o dia todo: era ele, tinha que ser ele, será com ele. O que ele não sabia é que ela estava completamente apaixonada, até então e para sempre. O que ele não sabia, até então, é que aquilo tudo era perfeito para ela. Até então. Porque agora, meu bem, você acaba de ler a mais pura verdade entre a gente.

Te amo hoje e em todos os outros dias da minha vida.     
Happy (6) Valentine's Day para você.